"E... Eles chegaram com suas
sabedorias tiradas
de teias de aranhas
que se desfaz ao toque
ou ao pingo da água..."
Corvo do Silêncio

No agreste de Caetés,
Foi menino sonhador,
Com sandália de esperança,
E um olhar trabalhador,
Cresceu vendo a seca dura,
Mas guardou fé e amor.
Sua mãe, mulher guerreira,
Fez da fome resistência,
Criou filho com coragem,
E com pouca providência,
Plantou sonho no menino,
Que cresceu com consciência.
Foi torneiro lá no ABC,
De metal fez parceria,
Trabalhando dia e noite,
Com suor e rebeldia,
Aprendeu que o pobre é forte,
Quando luta com ousadia.
Do sindicato surgiu,
Como voz de multidão,
Defendeu o trabalhador,
Com firmeza e compaixão,
E dali nasceu um líder,
Que desafiou patrão.
No caminho da política,
Se firmou no ideal,
De ver pobre ir pra escola,
E comer feijão com sal,
Sonhou o Brasil possível,
Com justiça social.
Lá no ano de dois mil e dois,
Conseguiu se eleger,
“Lulinha paz e amor”, diziam,
“Vai o povo defender”,
E o operário do agreste,
Fez o Brasil renascer.
Criou Bolsa Família,
Levou luz ao sertão,
Fez o jovem universitário,
Filho da construção,
Ter diploma e esperança,
De mudar a nação.
Mas com o tempo veio a sombra,
Da política e da intriga,
Acusaram-no de tudo,
Com denúncia e armadilha,
E começou uma guerra,
Com mentira e armadilha.
O tal tríplex virou caso,
De manchete e confusão,
Mas não havia escritura,
Nem prova, nem relação,
Mesmo assim o condenaram,
Sem direito e sem perdão.
O juiz, depois ministro,
Fez da toga arma e poder,
E a história foi mostrada,
Pra quem quis compreender,
Que justiça sem equilíbrio,
Pode o povo ofender.
Foi levado à prisão fria,
Por processo desigual,
Mas seguiu com sua fé,
Com coragem sem igual,
Leu, escreveu e esperou,
Pela verdade final.
Dois anos de solidão,
Na cela de Curitiba,
Sem o povo, sem a rua,
Mas com alma combativa,
Fez do tempo sua escola,
E da dor uma cartilha.
Naquele tempo sombrio,
Perdeu Marisa Letícia,
Seu amor e companheira,
Na dor, virou notícia,
E chorou sem fingimento,
Com lembrança e carícia.
“Ela foi antes da hora”,
Disse em tom de coração,
“Mas guardo nela o sentido,
De lutar com devoção,
Pois quem ama não desiste,
Da justiça e da nação.”
Quando enfim veio o alívio,
Do Supremo e da verdade,
Saiu livre e novamente,
Com firme serenidade,
Dizendo: “Mentira cai,
Mas não mata a dignidade.”
O Brasil lhe abriu as portas,
Com saudade e emoção,
Uns gritavam “é o retorno”,
Outros “é manipulação”,
Mas o povo o reelegeu,
Na urna da decisão.
Com Janja ao lado firme,
Nova vida, nova história,
Disse “o amor é combustível,
Pra vencer a velha escória,
E sem ele o mundo seca,
Sem justiça nem memória.”
Na rampa do Planalto,
Voltou de corpo e alma,
Com bandeira tremulando,
E o povo pedindo calma,
Com esperança renovada,
E emoção que não se acalma.
Falou ao povo humilde,
Com voz rouca e coração,
“Quem passou fome comigo,
Agora vai ter feijão,
Ninguém solta a mão de ninguém,
Essa é a revolução.”
E prometeu combater,
A miséria e a ilusão,
Com o SUS fortalecido,
E escola em cada chão,
“Porque cuidar do povo,
É cuidar da nação.”
Recordou os tempos duros,
Da pandemia e do sofrer,
Disse “vida é mais que lucro,
E o Estado deve prover,
Saúde é um direito,
E não favor de poder.”
Falou dos tempos de ódio,
Das redes e confusão,
“Vi o país dividido,
Pela raiva e traição,
Mas quem ama o Brasil,
Quer união e compaixão.”
Sobre o agronegócio,
Disse “há de prosperar,
Desde que o solo e o verde,
Possam juntos respirar,
Não se come só dinheiro,
Nem se planta sem cuidar.”
Mencionou os povos livres,
Da floresta e do sertão,
“Quem matou a natureza,
Matou parte da nação,
E quem defende os povos,
Defende a criação.”
Falou da juventude,
Com ternura e emoção,
“Quero jovem com futuro,
E não arma na mão,
Educação é escudo,
Contra a manipulação.”
Falou de democracia,
Como quem reza oração,
“Já fui preso, já caí,
Mas não perco a convicção,
Que votar é o maior ato,
De fé de uma nação.”
Sobre as críticas e ataques,
Disse “faço minha parte,
Quem governa erra e acerta,
Mas não perde a arte,
De servir ao povo simples,
Com respeito e com vontade.”
Falou das obras antigas,
E do sonho de avançar,
“Dei estrada, dei comida,
E escola pra estudar,
Mas quero é ver o pobre,
Aprender e prosperar.”
Lembrou do mundo a olhar,
Pro Brasil com atenção,
Disse “quero o verde vivo,
E comércio em união,
Sem brigar com o planeta,
Mas de igual pra igual, irmão.”
Falou com humildade,
De seus erros e lições,
“Nem todo acerto é glória,
Nem toda queda é prisões,
Mas o que move um homem,
É lutar por gerações.”
Citou o povo nordestino,
Com sorriso e gratidão,
“Sou filho do chão rachado,
Que o sol faz oração,
Mas dali brota coragem,
Pra mudar qualquer nação.”
E ao falar de economia,
Usou tom de confissão,
“Não quero milagre em bolsa,
Quero o povo em ascensão,
Com emprego e mesa farta,
E justiça no balcão.”
Sobre os filhos, foi sereno,
“Tenho orgulho e emoção,
Pois quem cria sob pobreza,
Sabe o peso do quinhão,
E o valor de um afeto,
Vale mais que um milhão.”
Falou da fé popular,
Dos terços e das romarias,
“Respeito toda crença,
Toda voz e profecia,
Mas Deus mora no humano,
E no pão de cada dia.”
Ao lembrar Marisa ainda,
Fez silêncio e olhou o chão,
“Ela é flor que não morre,
Mora em cada decisão,
E em cada ato de justiça,
Sinto sua proteção.”
E com Janja ao seu lado,
Falou sobre o renascer,
“Amar depois da tormenta,
É coragem de viver,
E dividir o futuro,
É seguir e florescer.”
Disse “não tenho corona,
Sou do povo e da praça,
Gosto de prosa e viola,
E de pão feito em massa,
Política é cuidar do outro,
E não da própria caça.”
Sobre reeleição falou,
Com cuidado e emoção,
“Não decido pelo trono,
Mas pelo coração,
Se o povo quiser comigo,
Eu renovo essa missão.”
E deixou uma mensagem,
Pra o país inteiro ouvir,
“Não há Brasil sem justiça,
Nem progresso sem sorrir,
E quem sonha junto ao povo,
Faz o tempo repetir.”
Assim falou o cordel,
Da voz de um brasileiro,
Que caiu, mas se ergueu,
Com o povo por inteiro,
Pois na luta do sertão,
Todo homem é guerreiro.

"O ser pensante mais inteligente
que nunca existiu em
nossa era... Eu, desconheço.
Mais conheço
muitos que dizem ter
conhecido este ser"
Desconhecido
Cordel das Três Vozes e Um Brasil