"E... Eles chegaram com suas
sabedorias tiradas
de teias de aranhas
que se desfaz ao toque
ou ao pingo da água..."
Corvo do Silêncio

No Vale do Ribeira nasceu,
Em Glicério, o capitão,
De família simples e dura,
O menino do sertão,
Que sonhava com farda e mão.
Foi pra tropa, cheio de zelo,
Com vontade de mandar,
Mas cedo enfrentou problema,
Na caserna, ao reclamar,
De soldo baixo e má pagar.
Fez protesto, fez desenho,
Falou em bomba, explosão,
Foi punido, deu confusão,
Saiu do Exército cedo,
Mas levou no peito o brasão.
De militar virou político,
Lá nos anos oitenta e oito,
Com discurso nacionalista,
Tom mais bruto, pouco afoito,
E mandava o verbo solto.
Por trinta anos seguiu,
Como deputado em Brasília,
Defendendo o militarismo,
E falando com ardentia,
Mas sem lei de autoria.
Virou nome conhecido,
Nas redes, com ironia,
Falava duro, sorria pouco,
Mas ganhava simpatia,
De quem via nele ousadia.
Em dois mil e dezoito veio,
A eleição e o fervor,
Com discurso antipolítica,
Contra tudo e seu redor,
Chegou o capitão-mor.
Ganhou voto e confiança,
Prometendo renovar,
Dizendo ser o “mito”,
Que iria transformar,
O Brasil pra melhorar.
Assumiu em janeiro,
Com a faixa no peito firme,
Mas trocou livro por farda,
E a calma por um redemoinho,
De fala dura e regime.
Cortou verba e ministério,
Disse: “Menos é mais”, no tom,
Mas logo o tempo mostrou,
Que governar é bem mais bom,
Quando se ouve o outro som.
Veio a seca e veio a chuva,
Veio a floresta em fogo,
O mundo olhando assustado,
E o verde virando rogo,
Na Amazônia em apuro e fogo.
Veio a peste do século,
Covid, medo e dor,
O povo chorando em casa,
E ele dizendo com humor:
“E daí? Não sou coveiro, senhor.”
Enquanto os leitos enchiam,
E o pranto cortava chão,
Faltou oxigênio e calma,
E cresceu a indignação,
Do povo em comoção.
Falava em “gripezinha”,
E “quem é de morrer, morreu”,
Negou a máscara, a vacina,
E o mundo então percebeu,
Que o Brasil sofria e gemeu.
Vieram vozes indígenas,
Pedindo ajuda, proteção,
Mas faltou escuta e zelo,
Na mata e na nação,
E a dor virou canção.
No Planalto a fé crescia,
Mas também a confusão,
Entre o púlpito e o palanque,
Misturou-se religião,
E a pátria virou sermão.
Com a língua sempre afiada,
Deu respostas com desdém,
“E daí?”, “Rolou um clima” —
Frases que ninguém retém,
Mas o mundo ouvia bem.
Lá fora, a imagem caiu,
De nação respeitável e bela,
E a crítica internacional,
Ficou dura, sem novela,
Com o Brasil na janela.
Vieram tempos de tensão,
Com ministros trocando lado,
Militares e civis brigando,
E o povo meio cansado,
Sem futuro declarado.
Falava em armar o povo,
Em “liberdade ou prisão”,
Mas esquecia que a paz,
Também mora no perdão,
E não só no canhão.
Com o tempo veio o cansaço,
E o desemprego cruel,
Com o preço do feijão,
E o povo no papel,
De lutar por um troféu.
Vieram os auxílios breves,
Pra conter a rebelião,
Mas o gasto do cartão,
Subiu mais que o clarão,
Da estrela em ascensão.
Quando a eleição chegou,
O povo quis comparar,
Entre a fome e o passado,
Entre o riso e o chorar,
E o voto veio pesar.
Perdeu o trono da faixa,
Mas não quis entregar,
Ficou mudo, ficou bravo,
Preferiu se ausentar,
Pra longe foi viajar.
E o dia da posse veio,
Sem o gesto de apertar,
Faltou-lhe a coragem nobre,
De a faixa repassar,
E o povo foi observar.
Foi pra longe, foi pra fora,
Pra não ter que escutar,
A sanfona da vitória,
Do outro a governar,
E o Brasil a respirar.
Depois vieram as joias,
Histórias de avião,
De presente mal contado,
De ouro e de ilusão,
Que virou investigação.
Falou em “pedido de vista”,
E em “mal-entendido só”,
Mas o povo curioso,
Fez da dúvida um farol,
E a imprensa tomou o nó.
Enquanto isso crescia,
O rumor da confusão,
De atos e de discursos,
Com teor de sedição,
E ameaça de invasão.
Dia oito de janeiro,
Veio o caos em Brasília,
Um povo mal orientado,
Entrando na rebeldia,
Contra a lei e a harmonia.
O mundo inteiro assistiu,
Com espanto e aflição,
A capital brasileira,
Virar palco de tensão,
Com vidro e chão no chão.
Foi dito que era “povo”,
Mas a justiça olhou,
Viu quem mandou mensagem,
E o fio se desenrolou,
Até quem incentivou.
E a história foi anotando,
Com caneta e compaixão,
Que o poder, sem equilíbrio,
Vira sombra e confusão,
E machuca a nação.
Hoje o capitão caminha,
Fora da tropa, a pensar,
Em como o tempo corrói,
Quem não sabe escutar,
O que o povo quer falar.
No retrato da memória,
Ficou o contraste fiel,
Entre o riso e a ironia,
Entre o ferro e o papel,
Da palavra sem pincel.
Uns o veem como herói,
Outros, como lição,
Mas o livro da história,
Tem espaço e contradição,
Pra todo cidadão.
E o Brasil, mãe generosa,
Segue em frente a sonhar,
Com justiça e esperança,
Com vontade de mudar,
E o passado a recordar.
Do quartel ao palanque,
Do voto à confusão,
A história segue viva,
Nas veias da nação,
Com dor e reflexão.
E o cordel vai terminando,
Com respeito e emoção,
Pois todo homem que rege,
Um povo ou um chão,
Deve honrar sua missão.
Que o Brasil aprenda o rumo,
Da verdade e da união,
Que a lição do capitão,
Seja força, não divisão,
Pra erguer de novo o chão.

"O ser pensante mais inteligente
que nunca existiu em
nossa era... Eu, desconheço.
Mais conheço
muitos que dizem ter
conhecido este ser"
Desconhecido