A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Textos

 

Os Mistérios

Das Feiticeiras Ancestrais

 

  A lua cheia brilhava sobre o antigo bosque, suas sombras dançando entre as árvores retorcidas, como testemunhas silenciosas de segredos há muito esquecidos. Elmyra, uma jovem mulher de cabelos negros como a noite, caminhava com passos determinados por entre a floresta densa, guiada por um chamado invisível. O vento sussurrava seu nome, e ela sabia que não era uma coincidência. Havia algo naqueles sussurros que a atraía, um mistério que ela sentia em seus ossos.

 

  Ao redor dela, as árvores pareciam vivas, com galhos que se estendiam como braços magros e folhas que balançavam ao menor toque da brisa. O ar estava carregado de uma eletricidade estranha, como se a própria terra aguardasse o que estava por vir. Elmyra apertava em suas mãos um amuleto de prata, herdado de sua mãe, e de sua avó antes dela. Sempre soubera que aquele objeto tinha um significado maior, mas nunca entendera por completo até agora.

 

  Por que me sinto tão conectada a este lugar? Ela sussurrou, olhando para as sombras ao seu redor. Não esperava resposta, mas sentia que o próprio ar carregava uma sabedoria antiga.

 

 Ela caminhou por mais algum tempo até que, de repente, o bosque se abriu em uma clareira circular. No centro, uma velha pedra desgastada pelo tempo, coberta de símbolos arcanos, aguardava como um monumento a eras esquecidas. Elmyra se aproximou com cautela, seu coração batendo mais rápido a cada passo. O amuleto em seu pescoço começou a emitir um leve brilho prateado, como se estivesse reagindo à proximidade da pedra.

 

  É aqui, ela murmurou para si mesma, sem saber como sabia disso, apenas que sentia a verdade em seu interior.

 

  De repente, uma voz feminina, grave e cheia de autoridade, soou pela clareira. Você veio, Elmyra. Assim como era esperado.

 

  Elmyra virou-se abruptamente, seus olhos buscando a origem daquela voz. E então, da escuridão, uma figura se revelou. Era uma mulher alta, com cabelos prateados que desciam até a cintura, vestida com um manto de sombras que parecia se fundir com a noite. Seus olhos brilhavam como a lua, frios e insondáveis.

 

  Quem é você? Elmyra perguntou, dando um passo para trás instintivamente.

 

  Eu sou Anwen, uma das guardiãs dos Mistérios Ancestrais. E você, minha querida, carrega o sangue das feiticeiras antigas.

 

  Elmyra sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sempre soubera que havia algo de diferente em sua família, mas sua mãe nunca falara sobre isso abertamente. Por que ninguém me contou? Anwen deu um leve sorriso, seus lábios mal se movendo. Porque os segredos que carregamos são perigosos. Aqueles que não estão prontos para a verdade podem ser consumidos pelo poder que eles oferecem.

 

  Então por que estou aqui? O que esperam de mim? Elmyra perguntou, sua voz misturando curiosidade e apreensão.

 

  Você foi chamada porque é a última de sua linhagem. As respostas que busca estão nesta clareira, enterradas no passado. Mas lembre-se, o conhecimento tem um preço. Anwen caminhou em direção à pedra no centro da clareira e colocou a mão sobre os símbolos arcanos. Aqui, os segredos das feiticeiras ancestrais estão gravados. Cada marca, cada inscrição, contém o poder de momentos passados.

 

  Elmyra olhou para a pedra com renovado interesse, aproximando-se lentamente. "E como posso acessar esse poder?

 

  Você não pode simplesmente tomá-lo. Deve provar que é digna. Apenas aquelas que aceitam o fardo do conhecimento podem desvendar o verdadeiro poder dos Mistérios. Anwen estendeu a mão, apontando para o amuleto de Elmyra. Esse amuleto é a chave. Mas cuidado, pois uma vez que o portal seja aberto, não há retorno.

 

  Elmyra respirou fundo. O peso das palavras de Anwen era palpável. Ela sabia que essa era sua chance de entender quem realmente era, de descobrir o legado de sua linhagem. Mas também temia o que poderia encontrar.

 

  Sem hesitar, ela ergueu o amuleto e o aproximou da pedra. Assim que o objeto tocou a superfície fria da rocha, os símbolos começaram a brilhar intensamente, e um som profundo, quase como um lamento antigo, soou pela clareira. Elmyra sentiu o chão sob seus pés tremer levemente, e a energia ao seu redor se intensificar.

 

  De repente, o brilho tornou-se ofuscante, forçando-a a fechar os olhos. Quando os abriu novamente, não estava mais na clareira. Estava em um lugar diferente, um espaço entre o tempo e o nada, onde sombras dançavam ao redor dela, formando figuras femininas, etéreas, flutuantes.

 

  Essas são as feiticeiras ancestrais, Anwen explicou, surgindo ao lado dela. Suas vozes ressoam através dos séculos, guardiãs do que veio antes e do que está por vir.

 

  Uma das figuras se aproximou de Elmyra, seus olhos eram dois orbes de luz pura. Quando falou, sua voz parecia vir de todos os lugares ao mesmo tempo. Você busca os Mistérios, filha. Mas está pronta para carregar o peso de tais segredos?

 

  Elmyra, ainda desorientada, respondeu com a voz firme, embora seu coração estivesse acelerado. Estou pronta. Preciso entender meu passado para poder controlar meu futuro.

 

  A figura assentiu lentamente. Então escute. Nós fomos as primeiras a manipular as forças que moldam o mundo. Nosso poder é antigo, nascido da terra, do céu e do sangue. Mas o poder corrompe, e muitos caíram em sua busca. Nós, que permanecemos, juramos proteger os segredos que poderiam trazer tanto a criação quanto a destruição.

 

  Elmyra sentiu um nó formar-se em sua garganta. O que devo fazer?

 

  As respostas não estão apenas em palavras, mas em ações. Você será testada, jovem feiticeira, e precisará provar que entende o equilíbrio entre a magia e o mundo que a cerca. A figura se dissolveu lentamente, deixando Elmyra e Anwen sozinhas naquele espaço sombrio.

 

  De volta à clareira, Elmyra piscou, desorientada, percebendo que havia retornado. O amuleto em seu pescoço agora brilhava intensamente, pulsando com uma energia nova. Anwen olhou para ela com uma expressão neutra, mas havia uma centelha de aprovação em seus olhos.

 

  Você passoou pelo primeiro teste, disse Anwen. Agora, você deve continuar. Os Mistérios das feiticeiras não são revelados todos de uma vez. Eles se desdobram à medida que você prova sua compreensão e força.

 

  Elmyra assentiu, respirando fundo. Então, qual é o próximo passo?

 

  Agora, você precisa enfrentar os Sons de seu próprio passado, respondeu Anwen, sua voz enigmática. Há segredos que sua família escondeu de você, segredos que você deve desenterrar.

 

  Elmyra sabia que as respostas que buscava não seriam fáceis de encontrar. Havia algo de sombrio em seu legado, algo que sua mãe havia temido. Mas estava determinada a continuar. O peso dos Mistérios já não parecia um fardo tão grande.

 

  Ela estava pronta para desvendar o que as feiticeiras ancestrais haviam protegido por tanto tempo.

 

  Anwen sorriu levemente, observando a determinação de Elmyra. Muito bem, jovem feiticeira. A jornada que você começou agora irá testar cada parte de você, seu coração, sua mente, sua alma. Mas lembre-se, os Mistérios não são apenas para serem descobertos. Eles são para serem compreendidos.

 

  E com isso, Elmyra sabia que estava no caminho para descobrir os maiores segredos de sua linhagem. Ela se preparou para enfrentar o que viesse a seguir, sabendo que cada revelação a traria mais perto de seu verdadeiro destino.

 

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Corvo do Silêncio

O tempo em que mulheres eram chamadas de bruxas e condenadas por isso não foi apenas um tempo de superstições, foi um reflexo sombrio do medo que uma sociedade tinha do que não compreendia.

Muitas dessas mulheres não manipulavam feitiços, mas sim saberes, conheciam ervas, o corpo, os ciclos da vida e da terra. Outras eram simplesmente diferentes, independentes, inteligentes, livres demais para caber nos moldes estreitos que lhes foram impostos. E, por isso, tornaram-se alvo.

A chama das fogueiras servia menos para “purificar o mal” e mais para silenciar vozes incômodas. Era o tempo em que o desconhecido era punido, e o feminino, quando escapava ao controle, era transformado em ameaça.

Pensar nesse período é lembrar que o medo pode ser usado como arma, e que a ignorância pode vestir-se de justiça. Mas também é perceber que a coragem daquelas mulheres, mesmo quando anônimas, deixou rastros. Hoje, seus nomes soam como um alerta, que nunca mais se confunda sabedoria com perigo, liberdade com pecado, diferença com heresia.

A história as queimou, a memória as ilumina.

 

A Sales
Enviado por A Sales em 11/12/2025
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Comentários

  Um livro poético escrito em sonetos que te leva desde a amizade, passando pela paixão até o amor. Uma viagem nestes sentimentos com uma escrita leve, senssivel e compreenssivel.

Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

Há palavras que nunca foram ditas,
e, mesmo assim, soam dentro de nós.
Este livro é um mergulho no espaço entre as vozes,
nas pausas, nos gestos interrompidos,
e nas emoções que o silêncio guarda.