A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Textos

 

Cantos de Bruxas

Segredos do Passado

 

  A névoa espessa pairava sobre a floresta, cobrindo o solo úmido com uma camada espectral que tornava cada passo cauteloso. O estalar das folhas secas sob os pés de Annelise era o único som que quebrava o silêncio antigo do lugar. O caminho diante dela era pouco mais que uma trilha escondida, uma rota esquecida pelas pessoas da aldeia há gerações. Somente aqueles que conheciam os velhos segredos da floresta se aventuravam tão profundamente.

 

  Ela segurava o medalhão antigo em suas mãos trêmulas, um artefato que havia encontrado escondido entre os pertences de sua avó falecida. Havia algo nas gravuras do metal que parecia familiar, embora Annelise não conseguisse identificar exatamente o que era. Seu coração batia acelerado, não apenas pelo medo de se perder, mas pela sensação crescente de que algo, ou alguém, a observava.

 

  Estou fazendo a coisa certa? Falou para si mesma, olhando ao redor, como se esperasse que as árvores sussurrassem uma resposta.

 

  O vento soprou suavemente, como uma resposta vaga. Annelise suspirou, puxando seu capuz para cobrir mais de seu rosto. Ela sabia que não poderia voltar agora. Sua avó sempre falara de segredos, de um legado que ela nunca havia revelado por completo. Mas antes de morrer, sua avó havia mencionado algo sobre as Bruxas do Círculo Antigo e os Cantos Esquecidos. Aquilo havia acendido uma chama de curiosidade em Annelise que, agora, a guiava até aquele lugar misterioso.

 

  À medida que avançava mais profundamente na floresta, os troncos das árvores pareciam se inclinar para dentro, criando um corredor estreito que tornava o ar mais pesado e denso. Foi então que avistou uma figura à distância, uma silhueta encapuzada. O coração de Annelise saltou, mas ela não parou. Sabia que aquela era a pessoa que estava procurando.

Você veio, a figura falou, sua voz suave, mas cheia de uma força antiga, que soava no ar estagnado. Era uma mulher alta, sua pele pálida quase brilhando à luz fraca da lua que mal penetrava a densa cobertura de galhos acima.

 

  Minha avó… ela falava de você, Annelise disse, tentando esconder o tremor em sua voz. Ela disse que eu precisaria encontrá-la se quisesse entender o que eu soou.

 

  A mulher sorriu levemente, mas seus olhos estavam frios, inexploráveis. "Sua avó sabia mais do que dizia. O sangue de sua família é antigo, Annelise, e os segredos que carrega são perigosos. Há muito tempo, sua linhagem foi parte do nosso círculo, mas eles se afastaram… por medo." Annelise franziu a testa, confusa. Medo? Medo do quê?

 

  A mulher se aproximou, e Annelise sentiu a magia ondular no ar ao redor dela, como um véu invisível, mas palpável. Medo do poder que tinham. O poder de mudar o curso da história com uma palavra, uma canção, um feitiço. Os 'Cantos de Bruxas' não são meros encantos. São as vozes do passado, segredos antigos que moldaram reis e derrubaram impérios.

 

  Annelise olhou para o medalhão em sua mão. As marcas gravadas nele começaram a brilhar fracamente, como se respondessem às palavras da mulher. "Minha avó sabia disso, mas nunca me contou.

 

  Ela tentou protegê-la. Muitas bruxas ao longo das eras caíram ao usar esse poder. Os Cantos são proibidos por um motivo. Não são apenas histórias do passado, eles contêm o próprio destino daqueles que os entoam.

 

  Annelise engoliu em seco. Ela estava sendo confrontada com algo muito maior do que havia imaginado. E agora? O que eu faço com esse conhecimento? Devo abandonar tudo isso, como minha avó fez?

 

  A mulher balançou a cabeça lentamente. Você não pode. O ciclo foi reativado quando você pegou o medalhão. Os segredos despertaram. Agora, você deve decidir se vai aceitar seu legado ou deixá-lo destruir você.

 

  O som de vozes distantes soou pela floresta. Eram cânticos, graves e assombrosos, como se surgissem do próprio solo. As árvores ao redor de Annelise começaram a vibrar levemente, respondendo àquela melodia invisível. Ela sabia, instintivamente, que esses eram os Cantos de Bruxas, e que estavam a chamando.

 

  Eu… preciso ouvir, disse Annelise, com os olhos arregalados. Eles estão chamando por mim.

 

  A mulher olhou para ela com uma expressão sombria. Eles sempre chamam. A questão é se você está preparada para escutar. Porque, uma vez que você ouve, não pode voltar atrás.

 

  Annelise deu um passo à frente, em direção à mulher. Então, me ensine.

 

A mulher sorriu, um sorriso carregado de conhecimento e de pesar. Muito bem. Mas entenda, jovem bruxa, o preço desse poder é alto. O que você ouvirá nos Cantos não é apenas o passado, mas o futuro, o que já foi e o que ainda será.

 

  Os cânticos aumentaram de intensidade, e a floresta parecia se curvar ao som. O ar ao redor de Annelise se tornou pesado, como se o próprio tempo estivesse sendo distorcido.

 

  Ela sentiu uma pressão crescente em sua mente, como se vozes antigas estivessem tentando romper as barreiras de sua consciência.

 

Feche os olhos, instruiu a mulher. E escute.

 

  Annelise obedeceu. Quando seus olhos se fecharam, o mundo ao seu redor desapareceu, e tudo o que restou foram as vozes. Elas cochichavam segredos esquecidos, histórias de bruxas que haviam mudado o curso de batalhas, salvado reis e condenado vilarejos inteiros. Cada nota dos cânticos trazia uma nova visão, uma nova memória, como se

 

  Annelise estivesse revivendo as eras que passaram.

 

  Ela viu sua própria ancestral, uma bruxa de imenso poder, ser coroada líder de um círculo antigo. Mas com essa coroa vinha uma maldição. O poder dos Cantos era intoxicante, e quanto mais ela os usava, mais ela perdia sua humanidade.

 

  Quando Annelise abriu os olhos, ofegante, estava de volta à floresta. Mas algo dentro dela havia mudado. O medalhão em sua mão agora brilhava intensamente, sua magia despertada completamente.

 

  Você viu, disse a mulher, seus olhos escuros observando cada movimento de Annelise.

 

  Agora, entende por que os Cantos foram esquecidos. Eles destroem quem os usa, pouco a pouco.

 

  Annelise balançou a cabeça, ainda em choque. Minha ancestral… ela caiu por causa disso.

 

Sim. E você também cairá, se não for cuidadosa. Mas agora, você tem uma escolha. Pode usar esse poder para se proteger, para vingar aqueles que caíram, ou pode trancá-lo novamente, como sua avó tentou fazer.

 

  A jovem bruxa apertou o medalhão em sua mão, sentindo o peso do legado que carregava. Ela sabia que não podia simplesmente ignorar o que havia aprendido. Mas o medo do que esse poder poderia fazer com ela era esmagador.

 

  Não posso deixar que isso me consuma, disse Annelise, determinada. Mas também não posso ficar parada enquanto o mundo lá fora queima. Se eu posso mudar algo, devo tentar.

A mulher sorriu, um brilho de aprovação em seus olhos. Então você já começou a entender o verdadeiro poder dos Cantos. Eles não são apenas para destruir, mas também para criar. Sua ancestral esqueceu disso. Não cometa o mesmo erro.

 

  Annelise sentiu uma onda de alívio misturado com a incerteza do que estava por vir. O que faço agora?

 

  Você volta para o mundo, a mulher respondeu, virando-se em direção à trilha. E usa o que aprendeu. Mas lembre-se, cada vez que cantar, estará tocando nas teias do destino. Nem sempre as consequências serão aquilo que espera.

 

  Annelise assentiu, sabendo que o caminho à frente era incerto. Com o medalhão em seu peito, ela seguiu de volta pela trilha que a havia levado àquele lugar. O passado estava com ela agora, em cada passo, em cada pensamento. Os segredos das bruxas do Círculo Antigo ainda soava em seus ouvidos, e ela sabia que, em breve, teria que usá-los.

 

  Mas, desta vez, seria diferente. Ela não seria consumida pelos Cantos. Ela os controlaria. E com isso, forjaria um novo caminho para si mesma e para todas as bruxas que vieram antes dela.

 

  O destino estava, finalmente, em suas mãos.

 

 

 

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As chamas que consumiram as bruxas não queimaram apenas corpos, mas também conhecimentos, curas e histórias que poderiam ter mudado o mundo.

 

 

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Enviado por A Sales em 11/12/2025
Alterado em 11/12/2025
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  Um livro poético escrito em sonetos que te leva desde a amizade, passando pela paixão até o amor. Uma viagem nestes sentimentos com uma escrita leve, senssivel e compreenssivel.

Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

Há palavras que nunca foram ditas,
e, mesmo assim, soam dentro de nós.
Este livro é um mergulho no espaço entre as vozes,
nas pausas, nos gestos interrompidos,
e nas emoções que o silêncio guarda.