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Você gostaria de escrever um livro que fosse capaz de fazer o leitor viver e sentir as emoções do seu personagem? Como escreve Clarice Lispector (Laços de Família) Fabiane Ribeiro (Jogando Xadrez Com os Anjos) Dan Brown (O Símbolo e o Código da Vince) e ele Sidney Sheldon (Enquanto Houver Amanhã e Nada Dura Para Sempre)
"Claro que não será igual a eles, mais se parecer já é uma vitória"
No momento atual escrever um texto já deixou de ser difícil, basta escolher uma “IA” e pedi: Escreve algo sobre um Peixe Voando Pra Lua Carregando Um Elefante e Duas Formigas Cantando Elba Ramalho e Alceu Valença... Segundos depois o texto pronto. Mas é seu texto ou da IA?
Em 1985 Sidney Sheldon escreveu o primeiro livro da série com a personagem Tracy Witney. Eu me fiz uma pergunta quando foi informando que meus textos usam imagens geradas por IA. Minha pergunta foi simples: como o escritor Sidney Sheldon escrevia cenas tão reais, tão detalhadas, tão vivas que eram e são capazes de mim colocar dentro da história?
E eu estou falando apenas de Sidney Sheldon, a também Dan Brown e outros, estes escritores no ano mencionado tinha o uso do recurso "IA" para escrever seus textos? Ou eles, usava apenas estes recursos puramente humanos:
Pesquisa tradicional: Biblioteca, livros, jornais, entrevistas pessoais ou anônimas.
Observação real: Cada lugar citado em seus livros ele visitou pessoalmente
Talento narrativo: No caso de Sidney Sheldon, seu talento incluía a rara percepção atmosférica dos lugares, capturando o clima emocional e sensorial de cada cenário com profundidade.
Experiência pessoal: Ele tinha vasta experiência com o mundo artístico, tinha vivência com pessoas de todas as classes, tinha conhecimento sobre manipulação, poder, ambição e sedução, tinha uma incrível memória visual e emocional.
Ele transformava vida em literatura. Ele tinha uma disciplina feroz de escrita.
Em dois mil, mais precisamente em 95 eu escrevia uma história (na época o título era Lázaro o Escorpião) e para os amigos era ótima, mandei para uma casa publicadora, eles mandaram de volta e numa folha branca estava escrito. “Não é quantidade de letras que faz um livro. Mais o conteúdo” meu livro, ou seja, o que eu pensava ser um livro era só um monte de folha de papel chamequinho datilografado manualmente. Computador era luxo.
Nem tudo foi tão ruim, o mesmo papel branco... branco era a cor mais tinha uma mensagem, e um parágrafo dizia: “Antonio, a reclusão do seu material não significa que você deve parar, mas criar percepção de escrita” o parágrafo seguinte veio com uma referência de peso, Sidney Sheldon. Qual era a editora em 1995, era só a Editora Record, a mesma que em 1985 publicou aqui no Brasil a obra do escritor Sidney Sheldon.
Eu não aceitei bem a negativa e parei de escrever o que só os amigos diziam ser bom. E como nunca mandei musicas para gravadoras, fiquei só com a musica gospel, e mundana como dizem por aí. Sou fã de Roberto Carlos.
Minha desistência durou pouco tempo, eu gostava de escrever, e tinha as músicas que tanto eu quanto os outros membros escreviam. Em 2005 já tinha todos os livros de Sidney Sheldon, li e reli varias vezes sempre seguindo a dica, sim... da editora. Cada livro que eu lia ou cada vez que eu relia, me perguntava como ele descrevia algo de maneira que parecia tão real, como ele fazia aquilo. Havia ali um segredo que eu não conseguia descobrir.
Cadernos e cadernos escrevendo, reescrevendo, tirando algo, colocando algo e não tinha em um por cento o conteúdo do escritor. Pensei, era dom mesmo. Então eu passei a escrever algo que eu gostava de ler, aventuras, ficção, fantasia e sempre tentava deixar as descrições vivas, não conseguia, ficava tudo na visão do personagem ou na minha. Não passava disso.
Em 2010 eu descobri o segredo do escritor, ná verdade ele mesmo contou e como eu sei? Internet. Wikipédia, desde de 2001, minha amiga inseparável. Não! A Wikipédia é o meu segredo, o do escritor está abaixo, e eu chamo de:
“Os segredos dos escritores profissionais”
Escrita Sensorial Começa pela Observação Atenta.
Quando falo sobre escrita sensorial, gosto de começar dizendo algo simples, tudo começa na observação. Antes de descrever qualquer cena, eu preciso treinar meu olhar, e também meu ouvido, meu tato, meu olfato e até meu paladar, para captar o mundo ao meu redor com profundidade. Não adianta querer criar atmosferas ricas se eu mesmo não presto atenção no que me rodeia. Então, a primeira prática que aprendi e que você também vai aprender é:
habituar-se a notar detalhes.
Exemplo um (simples, sem detalhe) é quando vem a inspiração e você escreve e assim fica:
Ela atravessou a estação apressada.
Exemplo dois (Agora com o detalhe que faz a diferença) é quando você vai revisar o texto para postagem e assim fica:
Ela atravessou a estação apressada, mas não percebeu que a mulher de vestido vermelho levantou o olhar exatamente no instante em que ela ajustou a alça da bolsa.
Aqui eu comecei observando cores, sons, texturas, cheiros, temperaturas, ritmos e pequenos gestos das pessoas. Tudo o que normalmente passaria despercebido se transforma em matéria-prima para a escrita. Quanto mais eu treino essa percepção, mais material sensorial tenho para construir cenas vivas e convincentes.
Por exemplo, a luz refletindo numa janela pode dizer muito mais sobre o clima de uma tarde do que simplesmente afirmar “estava ensolarado” como é comum nas narrativas apenas visuais. O tom de voz de alguém revela intenções ocultas, o cheiro da chuva pode trazer nostalgia, a sensação de vento frio na pele pode antecipar tensão, medo ou solidão.
Sempre que noto algo interessante, anoto. Mesmo que, à primeira vista, pareça irrelevante. Porque um detalhe que hoje não me parece útil pode ser exatamente o elemento que dará vida a uma cena futura. E é justamente isso que diferencia a escrita sensorial da descrição comum visual que pode ser vista de outro ângulo também, não se trata aqui de encher o texto com informações, mas de selecionar sensações que criem atmosfera dentro do que se propôs a escrever, seja livros, cartas, poesias ou contos.
Eu também aprendi e continuo aprendendo que pequenos detalhes geram grandes efeitos emocionais. Às vezes, uma única percepção, o rangido de uma porta ao ser aberta, (pensa nesse som numa cena de terror) o cheiro de café queimando, isso eu pude observar durante quase trinta dias numa fazenda (O Cheiro de Terra Molhada), pode transformar completamente a forma como o leitor sente o ambiente. Eu aprendo que a escrita sensorial não serve apenas para mostrar, ela serve para fazer o leitor sentir. Em outras palavras, é o que eu sinto ao escrever que tento levar para o leitor, fazer com que ele esteja na narrativa, sinta se o personagem.
Por isso, digo sempre, escrever, anotar, observar e escutar é treinar os sentidos para uma melhor escrita.
Sidney Sheldon diria que sim.
A maioria dos autores iniciantes (Olha eu aqui) descreve apenas o que o personagem vê, como se a narrativa fosse um filme limitado de imagens. Mas a escrita sensorial é muito mais ampla, ela exige som, cheiro, sabor e tato, cada um acrescentando uma camada invisível que transforma a cena em experiência.
Começa com a audição criando uma tensão, um passo atrás da porta pode revelar mais que um grito.
O olfato evoca memória, ou seja, o que você viu, presenciou se você nota e observa, detalhes fica gravado na sua mente como um perfume que pode trazer de volta alguém que já não está (lembrança).
O toque cria intimidade, a textura áspera de uma parede pode mostrar o nervosismo do personagem melhor que qualquer adjetivo. O gosto marca impressões, uma boca seca denuncia medo, um café amargo denuncia inquietação e assim segue os detalhes da percepção.
A visão, quando usada junto dos outros sentidos, deixa de ser óbvia (narrativa) e passa a surpreender (põe o leitor dentro da história).
Experimente como eu fiz muitas vezes escrever uma cena usando quatro sentidos diferentes, mesmo que de maneira sutil. Antes faça se estas perguntas: “O que meu personagem ouve quando acredita estar sozinho?”, “Qual cheiro anuncia perigo antes mesmo que ele perceba?”, “Como a textura do medo se manifesta nas mãos dele?”, “Que sabor revela sua emoção?”. Textos que misturam sentidos criam profundidade e prendem o leitor sem que ele perceba o motivo e quando ele percebe já acabou as páginas do livro. Por que? Por que ele sentiu a vivência do seu personagem.
Veja este exemplo de escrita usando apenas a visão e assim fica:
Exemplo um:
Ela caminhou pela estação olhando para os lados. Notou duas mulheres perto do banheiro e continuou andando. Entrou, abriu a bolsa e se encarou no espelho. As mulheres se aproximaram e anunciaram o assalto. Ela tentou reagir, mas ficou imóvel, sem entender o que acontecia.
Agora a mesma cena usando os outros sentidos e assim fica:
Exemplo Dois:
Ela entrou no banheiro ouvindo o som de passos que não eram seus. Um cheiro doce e estranho anunciava perigo antes que percebesse. As mãos suavam, a textura fria da pia aumentando o medo. O gosto metálico na boca denunciou o pânico segundos antes das mulheres anunciarem o assalto atrás dela.
Descobriu a diferença de escrita?
O primeiro exemplo de escrita é plana, rasa, sem detalhes, limitada apenas pela visão e aos acontecimentos por onde a personagem passa. Você está com a personagem e só ver apenas o que ela ver e faz, sem revelar tensão, emoção ou atmosfera. Uma escrita rápida, seca e quase descolada da experiência real.
Na segunda escrita usando os sentidos, o sensorial amplia a cena usando som, cheiro, tato e sabor, permitindo que o leitor sinta o ambiente antes mesmo que algo aconteça. Sinta o que a personagem está sentindo. A escrita cria uma antecipação, traz profundidade e envolvimento emocional. E isso a personagem faz o leitor sentir também.
A diferença é vista e possível porque na segunda cena escrita responde a perguntas internas do autor, lembras das perguntas que você deve se fazer? Já esqueceu? Te ajudo, são estas:
O que se ouve, cheira, toca e prova, use a gerando uma narrativa viva, imersiva e memorável. Eu só escrevi as perguntas como uma narrativa. Ficou legal né?
Quando aprendi (na verdade) comecei a entender sobre escrita sensorial, procuro não esquecer que o corpo é a porta de entrada para a emoção. É impossível criar profundidade psicológica apenas dizendo “ela estava triste” ou “ele estava com medo”. Por isso, sempre começo perguntando a mim mesmo:
O que essa emoção faz no corpo?
A percepção sensorial é poderosa exatamente porque traduz o invisível, o sentimento, por meio do visível, do palpável, do que se sente na pele.
Vou escrever uma narrativa e tem uma cena que a personagem sai na chuva, não vou descrer apenas a chuva, descrevo o que a chuva faz comigo. O frio que atravessa a roupa, a gota gelada que escorre pelo rosto, o arrepio involuntário que não consigo controlar. Cada uma dessas sensações abre caminho emocional. O frio pode sugerir solidão, a gota pode despertar irritação, o arrepio pode revelar medo. Assim, uma simples descrição climática ganha camadas de significado. Claro que você pode sentir outras emoções causadas pela chuva, e se isso acontecer significa que você está no caminho certo e pode ser mais uma pessoa com esse dom raro entre os mestres da escrita. Eu? Não... Sou apenas um aprendiz de feiticeiro. — Você já assistiu este filme?
Ao escrever, sempre busco essa ponte entre “sensação e emoção”. Boca seca mostra medo antes que a personagem perceba que está com medo. Mãos trêmulas revelam ansiedade mesmo quando ela tenta parecer calma. Ombros tensos denunciam raiva, mesmo que ninguém a mencione. Quando deixo que o corpo fale, não preciso explicar nada, o leitor sente e entende. É isso que transforma a escrita de comum para imersiva. Eu acho que a Élise ficou imersiva demais.
Exemplo Um:
Vamos aos exemplos de uma cena sem sensações e sem emoções:
Ela saiu da estação e percebeu que começava a chover. Abriu a bolsa, tirou o guarda-chuva e continuou andando sem muita pressa. O vento aumentou, e algumas pessoas correram para se abrigar. Ela entrou no café da esquina, pediu um chá e sentou perto da janela. Observou a rua ficando mais vazia e o movimento diminuindo. Depois de alguns minutos, recebeu uma mensagem e respondeu rapidamente. Bebeu o chá, pagou a conta e levantou para ir embora. A chuva já estava mais fraca quando ela voltou para a rua. Caminhou até o ponto de táxi e esperou alguns instantes até um carro parar. Entrou, informou o endereço e ficou olhando pela janela enquanto o motorista seguia o caminho. Quando chegou, agradeceu e subiu as escadas do prédio sem olhar para trás.
Exemplo Dois:
Sensorial e emocional, sensações transformando-se em emoções
(Aqui a cena é a mesma, mas agora o corpo revela o que as palavras não dizem. A observância do invisível).
Ela saiu da estação no exato momento em que a chuva começou a cair, primeiro fina, depois pesada, cada gota fria batendo na pele como um aviso. Quando abriu a bolsa, os dedos tremiam um pouco, não pelo frio, mas por algo que ela tentava ignorar desde cedo. O vento empurrou o ar úmido contra o rosto, fazendo com que a chuva despertasse memórias que preferia esquecer. O guarda-chuva abriu tarde demais, e a água gelada escorrendo por dentro da gola provocou um arrepio que atravessou a espinha.
Entrou no café como se estivesse fugindo. O calor do ambiente embrulhou seu corpo, e só então percebeu o nó na garganta. Pediu chá porque precisava de algo quente entre as mãos, o calor na pele lhe dava a sensação de que poderia voltar a respirar. Sentou perto da janela e viu a rua se esvaziando, mas não apenas viu, sentiu o isolamento crescendo junto com o barulho ritmado das gotas batendo no vidro.
O celular vibrou. Ao ler a mensagem, o gosto amargo subiu à boca. O medo não era declarado, mas estava ali, na respiração curta, nos ombros tensos, no toque hesitante ao responder.
A escrita simples apenas relata ações e acontecimentos, enquanto a escrita sensorial e emocional faz o leitor sentir o que o personagem sentiu. A primeira informa, a segunda envolve. Para melhorar sua narrativa como eu fiz e ainda faço, transforme ações em percepções, mostre o corpo reagindo ao perceber a reação do mesmo, deixe sensações revelarem emoções e permita que a cena ganhe profundidade natural.
Antes do computador, nem faço ideia de quantos cadernos comprei. Se eu for me basear que o dono do comércio andava de bicicleta Monark quando comprei o primeiro caderno, e depois já andava de carro. Acho que comprei muitos cadernos. (Usei aqui uma escrita informativa)
(essa técnica quando usada na poesia fica um show digno de Mestres como:) [no final da explicação]
Quando escrevo, gosto de lembrar que metáforas não servem apenas para enfeitar a frase, elas servem para fazer o leitor sentir. As metáforas sensoriais são especialmente poderosas porque falam diretamente ao corpo, antes mesmo de alcançarem a mente. Por isso, sempre me pergunto:
A que isso se parece no tato, no som, no sabor, no cheiro? Quando comparo um silêncio à textura áspera de um pano velho por exemplo, não estou descrevendo apenas um ambiente, estou ativando uma memória física que o leitor já conhece. (o pano velho) Ele sente na pele o desconforto sem que eu precise explicar nada.
Essas metáforas funcionam porque aproximam elementos distantes como um barulho, que pode indicar o gosto do medo, uma luz que pode ser quente indicando culpa, uma despedida que pode ter o cheiro azedo de algo que estragou. Quando faço isso, demostro (escrevo) uma emoção inteira em uma única imagem sensorial. A narrativa ganha profundidade sem ficar pesada. É como dizer que o personagem está em silêncio e fala tudo. Acho que Lázaro sabe do que eu estou falando.
Não se deve exagerar, não se deve misturar imagem demais, não se deve complicar a narrativa. A metáfora deve abrir uma porta para o leitor, não criar um labirinto. Em escrita profissional, clareza é tão importante quanto beleza. (essa frase me lembra um escritor) Quando corpo e imagem se encontram, a emoção floresce naturalmente na página. E a vida que você deu a sua personagem, ela transmite nas metáforas sensoriais para o leitor. (que viaja na maionese. Foi uma referência a uma poetisa)
Exemplo Um:
Uma cena sem metáforas sensoriais (escrita comum, a informativa percebida pela visão)
Ela atravessou a estação apressada. O corredor estava cheio e o barulho das conversas se misturava ao anúncio do trem. Duas mulheres observavam de longe, mas ela não percebeu. Caminhou até o banheiro para retocar a maquiagem antes do embarque, sem imaginar o que aconteceria. Ficou bonito? Não ficou?
Exemplo Dois:
Agora com o uso da(s) metáfora(s) sensorial(ais) (é uma escrita sensorial e expressiva)
Ela atravessou a estação apressada, sentindo o barulho ao redor pressioná-la como uma parede de vidro prestes a estilhaçar. O ar carregado tinha o cheiro ácido da pressa, um odor que sempre a deixava inquieta. Ao longe, os olhos das duas mulheres a seguiam com a frieza de lâminas bem amoladas. Quando entrou no banheiro, o silêncio que encontrou não era calmo, era um silêncio áspero, feito da mesma textura de um pano velho que irrita a pele. Mal sabia ela que esse silêncio já a avisava do que viria, antes mesmo que alguém falasse. (ainda tem mais duas metáforas na cena. Diga quais são...)
Entenda que uma metáfora sensorial transforma a descrição comum em experiência. Em vez de apenas mostrar o que acontece, você faz o leitor sentir por meio de comparações que ativam tato, cheiro, som, sabor e temperatura. Assim, emoções abstratas ganham corpo. Use metáforas simples, precisas e orgânicas, elas ampliam a cena sem sobrecarregar o texto. E o personagem agradece. E principalmente o leitor.
O que é uma metáfora?
Dicionário Aurélio responde:
Olá, eu sou Aurélio e uma metáfora é uma figura de linguagem em que você compara duas coisas diferentes sem usar “como”, criando uma imagem simbólica que revela um significado mais profundo. Ela não descreve literalmente, ela sugere, evoca, faz sentir. O Aurélio entrou no clima da narrativa informativa....
Sempre que escrevo uma cena importante, tenho que lembrar que a emoção não começa no acontecimento, ela começa “antes”. A atmosfera é a base emocional que prepara o leitor, e essa base nasce dos sentidos. (você já conhece todos) Antes que algo aconteça, observo o que o ambiente está dizendo, o som que parece deslocado, o cheiro que causa estranheza, a luz que muda sem aviso. A atmosfera é a respiração da cena. (e você nem pode respirar pra não perder os detalhes... pode respirar sim).
Se estou prestes a escrever um conflito, (Capricórnio e Escorpião) deixo que o ar carregue essa tensão. Sons secos, passos duros, um vento que parece empurrar a história para frente. O leitor percebe que algo está errado sem que eu diga nada. Já antes de um momento romântico, (meus contos sobre o Japão) procuro o oposto, luz suave, proximidade quente, movimentos lentos como se o tempo estivesse prestes a suspender o ar. Ou só escrevo Paris.
Crio atmosfera antes da ação porque isso envolve o leitor emocionalmente sem explicações diretas. Ele sente o que está prestes a acontecer. E quando a ação finalmente chega, ela não chega sozinha, ela pousa sobre um terreno emocional já preparado. Dominar atmosfera é dominar ritmo, suspense e profundidade. É transformar cenário em emoção viva. O que! Você nunca leu o Símbolo, Nada Dura Para Sempre e Jogando Xadrez Com os Anjos.
Foi o que o papel branco da editora me aconselhou a fazer, leia de tudo o que você puder para ter conhecimento do que vai escrever, e depois, leia mais um pouco, veja filmes, muitos filmes e peças teatrais, e também vá a uma sinfônica... Não, esse aqui eu fui por que era na minha cidade e era de 0800.
Exemplo Um:
Simples, sem atmosfera (descrição visual informativa e nem um pouco emocional)
Ela entrou no banheiro da estação e foi direto ao espelho para retocar a maquiagem. Duas mulheres estavam por perto, mas ela não prestou atenção. Tirou o batom da bolsa, ajeitou o cabelo e respirou fundo, tentando se acalmar antes do embarque. Enquanto isso, as duas mulheres se aproximaram. Quando estavam perto o suficiente, anunciaram o assalto. Ela levou um susto, tentou reagir, mas não teve tempo. As mulheres pegaram o que queriam e saíram rapidamente. Ela ficou parada por alguns segundos, tentando entender o que havia acontecido. Depois pegou a bolsa e correu para pedir ajuda no saguão.
Você percebeu que só escrevi o que os personagens viram...
Exemplo Dois:
Agora com o atmosférico sensorial, criando clima antes da ação. (A mesma cena, agora carregada de atmosfera antes do acontecimento).
Ela empurrou a porta do banheiro, e o silêncio que a recebeu era pesado, um silêncio que grudava na pele como umidade fria. O som distante da estação parecia abafado ali dentro, como se o ambiente estivesse segurando a respiração. O cheiro fraco de ferrugem misturado ao perfume doce de alguém que havia passado pouco antes criava uma sensação estranha, quase metalina, de alerta.
Enquanto caminhava até o espelho, sentiu que os passos das duas mulheres atrás dela não tinham cadência de pessoas apressadas, eram passos secos, contidos, calculados. A luz do banheiro piscou levemente, projetando por um segundo sombras que pareciam crescer nas paredes.
Ao abrir a bolsa para retocar a maquiagem, percebeu que suas mãos estavam mais frias do que deveriam. O ar ao redor parecia mais denso, como se a sala estivesse encolhendo. E então, antes mesmo de ouvir as palavras, sentiu a presença atrás de si: um calor súbito à altura da nuca, como um aviso que o corpo percebe primeiro. (Nem precisou eu escrever... é um assalto. O leitor já entendeu).
A escrita simples apenas relata o acontecimento, a atmosférica prepara o terreno emocional. Na primeira, a ação começa do nada. Na segunda, o leitor já está imerso antes do evento ocorrer. Criar atmosfera é antecipar sensações, sugerir tensão ou suavidade e fazer o leitor sentir o que vem antes de acontecer. Sentir uma cartasse... Outra referência.
Escrever bem não significa colocar tudo na página, mas escolher o detalhe que importa. Um único cheiro a mais pode mudar todo o sentido da história, um som pode sem sentido pode evaporar o estado emocional de um personagem. Excesso de sensações cria ruído. Escritores experientes filtram e selecionam o detalhe mais expressivo e eliminam o que não altera a experiência. O refinamento vem do corte, e da precisão. E isso vem com a perseverança da escrita sensorial.
Exemplo Um
Simples (Sem a redução dos excessos)
Ela entrou na sala observando cada coisa ao redor. As paredes eram bege, o sofá tinha almofadas coloridas, havia uma estante cheia de livros, uma mesa com flores, alguns porta-retratos, um tapete felpudo e uma luminária acesa no canto. O ar parecia um pouco frio e havia também um leve cheiro de bolo de fubá, misturado ao perfume de flores que vinha do vaso. No corredor, alguém conversava e passos soavam de vez em quando. Era apenas uma sala como tantas outras, com objetos diversos que faziam parte do cotidiano. Ela se moveu devagar, absorvendo tudo, mas nada parecia ter significado especial. (percebeu o exagero na descrição da sala, e a história se perdeu em meio a tantos objetos. Perceba também que coloquei a personagem como um leitor.
Exemplo Dois
Retirando os excessos e aplicando os sentidos na escrita sensorial
Ela entrou na sala e foi o cheiro suave do bolo de fubá que a prendeu, um aroma único, ligeiramente doce, como manhãs em que alguém acorda cedo demais pelo cantar do galo fora de hora. O ambiente era silencioso, salvo pelo tic-tac irregular de um relógio que parecia respirar no escuro. A luz da luminária desenhava um círculo quente no tapete, deixando o resto da sala numa penumbra que lembrava a casa das sete mulheres. (Você também não assistiu?)
Em vez de olhar para tudo, seus olhos pararam em um único porta retrato sobre a mesa. A foto estava um pouco torta, e isso, mais que qualquer outro objeto, dava a impressão de uma casa que tentava parecer organizada apesar de algo recente, uma pressa, talvez uma ausência. O ar era frio, mas não hostil, tinha a temperatura de um lugar que aguarda alguém voltar.
Percebeu que retirando os excessos de descrição na narrativa a história flui. E nem precisou colocar a personagem como leitor.
Entenda a diferença entre os dois exemplos
O primeiro exemplo descreve muitos elementos, mas nenhum tem ou dar significado a narrativa. O segundo escolhe três detalhes essenciais, cheiro, som e objeto-chave, que revelam atmosfera e emoção. Refinar é selecionar, menos elementos, mais intenção. É assim que o texto ganha força narrativa. É pura matemática. Menos com menos é....
Construa personagens através do que eles percebem
Um personagem não é definido apenas pelo que faz, mas como ele percebe o mundo. Cada pessoa filtra o ambiente de acordo com sua história, profissão, medos e desejos. Um soldado repara em ameaças, um cozinheiro percebe aromas sutis, um artista vê nuances de cor, uma criança ouve sons que adultos ignoram.
Quando você usar a percepção sensorial como lente revela identidade sem precisar dizer “ele era assim”.
Esse método que os mestres da escrita usam, torna o ponto de vista mais autêntico e evita parágrafos longos de explicação psicológica. Quando você mostra o que um personagem percebe, o leitor entende automaticamente quem ele é, e acredita nele. Em Cidade das Uvas, Carla é a resposta de que quando você pretende melhorar sua escrita, tempo e dedicação deverá ser seu lema, foi o meu por uns.... no final eu digo.
Exemplo Um
Entendendo na prática uma narrativa explicativa sem foco sensorial.
Lucas caminhava pela estação pensando que precisava resolver seus problemas. Ele se sentia nervoso e desconfortável com tudo que estava acontecendo. Olhou ao redor tentando se distrair, mas nada mudava o fato de que estava preocupado.
Exemplo Dois
Mesma cena com a percepção revelando o personagem
Lucas entrou na estação e, antes mesmo de perceber as pessoas, identificou o ruído metálico vindo do teto. Algo vibrava fora do padrão, e isso sempre o incomodava. Seus olhos correram automaticamente pelas rotas de saída, marcando portas, corredores, pontos de aglomeração. O segurança do canto, distraído no celular, virou um alerta silencioso em sua mente.
Diferença entre os dois exemplos
No primeiro exemplo, o personagem é explicado. No segundo, ele é percebido. A personalidade não é dita, é revelada pelas sensações que ele nota, pelos sinais que o inquietam, pela forma como lê o ambiente. Isso torna o personagem vivo, coerente e profissionalmente bem construído, o leitor sente quem ele é.
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Quando em 1995 que tive minha primeira resposta de não, sobre o material que eu mandei para a editora, não passava de uma quantidade de folhas datilografadas, percebi que escrever não era apenas pensar e colocar no papel. Deveria ter vida, ter percepção, ter algo que fizesse o leitor reler ou adquirir o próximo volume. Percebi que escrever não era pra me.
Desistir por um tempo de tentar escrever qualquer coisa, principalmente livros.
Minha ideia de melhorar o meu livro “Lázaro o Escorpião” ganhou vida quando em 2001 tive conhecimento da Wikipédia, e pesquisando escritores também pelo Google.
Então deixei meu projeto guardado e me dediquei a aprender a escrever como os escritores profissionais. Foi muito tempo entre pesquisas de como eles escrevia, vendo entrevistas de escritores e só em 2005 com a chegada do YouTube, foi que tive acesso a mais conteúdo.
Eu acredito que melhorei minha escrita em um por cento, foi aí que em 2014 conheci o Recanto fazendo pesquisas em busca de site de poesia, embora escrevesse um pouco melhor minhas narrativas (ainda na forma descritiva, mais um avanço) a poesia para mim era puramente só coração, pensar escrever já era poesia.
Estava enganado.
Lá em 1995 recebi uma resposta negativa que aquilo que eu pensava ser material para u livro, era apenas minha vontade ter um livro. Os anos passaram, e tudo que eu fiz foi escrever, até meu espiro virava uma cena narrada só pra me ter certeza que eu preciso entender mais ainda os sentidos que deixa a escrita como cara de profissional.
Naquele ano não deu certo, mais quem corre alcança mais rápido de que quem anda, neste ano está em minhas mãos e disposta pela UICLEP, o meu livro físico.

Na imagem meu primeiro livro físico impresso (Edição Independente)
Na tela os outros livros que já estão a venda UICLAP
Antes de 30 de novembro de 2022, está a data que o recurso de escrita IA se consolidou e deixou tudo muito fácil. O escritor Sidney Sheldon já escrevia livros capaz de te envolver com descrição sensorial e realistas, e fazia tudo pesquisando, conversando, entrevistando, fazia tudo com recurso puramente humano, usando apenas sua capacidade (dom) de escrever livros que nem as, IAs de hoje são capaz de fazer.
Tudo que elas fazem é escrever e mesmo que você tenha o conhecimento de como elas funcionam (seus comandos) ela não é capaz de criar um enredo e pensar nas cenas como a mente humana.
E neste tempo onde esses recursos existem, se alguém escreve algo que tenha teor, coerência, vida, começo, meio e fim, se esse alguém cria uma narrativa que te prende do inicio ao fim, onde você como leitor entra na história, se identifica com o personagem, essa pessoa tem seus escritos alusivos por IAs.... Tem seus escritos feitos por uma IA.
Escrever é como aprender a falar.
Ninguém começa sabendo, primeiro, precisamos ouvir. São as vozes dos outros, autores, narradores, contadores de histórias, aqui faço menção aos repentistas, eles que vão moldando o ritmo do que um dia será nossa própria voz escrita. No início, tudo é tentativa. Como uma criança que balbucia, escrevemos com tropeços, frases tortas, ideias que ainda não encontraram seu lugar. (nem editora para publicar)
Com o tempo, percebemos que podemos melhorar. Surge a escolha consciente, observar, treinar, estudar, imitar o que funciona e abandonar o que não pertence mais a nós. Chegam os professores, às vezes pessoas, às vezes livros, às vezes apenas um texto que nos impressiona, e nosso dom começa a ganhar forma.
E no fundo, apesar de toda ajuda externa, o desenvolvimento acontece por dentro. Usamos a “visão” para enxergar o mundo e transformá-lo em palavras, o “tato” para sentir se um texto está firme ou frágil, o “olfato” para identificar o que é exagerado, artificial ou forçado, (IA) e a “audição” sempre ela, para ouvir o ritmo da frase, o tom da narrativa, o som da nossa própria voz literária crescendo.
Assim como aprendemos a falar, aprender a escrever é um processo vivo, começa com outra pessoa, mas termina sendo inteiramente nosso.
“Melhore sua escrita lendo diariamente autores diversos, observando seus ritmos. Comece reescrevendo pequenos trechos, ajustando palavras, até sentir sua própria voz surgindo com mais clareza e confiança.”
