
Nos tetos do templo de pedra,
algo vigia enquanto o mundo medra.
Suas asas não batem, mas sentem,
e seus olhos de âmbar não mentem.
Ela surge vestida de noite,
entre véus, entre o açoite.
Nenhum canto ousa chamá-la,
pois o silêncio é sua fala.
No escuro, seu voo é desejo,
em cada pena, um lampejo.
De outrora carrega a maldição,
das almas presas na imensidão.
Sobre a torre, ela paira sozinha,
onde a luz nunca caminha.
Um orbe de sombras gira,
e o tempo, curvado, delira.
Assim voa, sempre desperta,
com olhos de sabedoria incerta.
Na noite, a vigília eterna,
em plumagem de coruja moderna.
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Decote profundo não é janela de invasão.
É escada simbólica para quem sabe olhar com reverência.
Toda mulher é templo, profaná-la é punir-se com maldição.

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