A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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A Caixa de Paris 9

 

 

  O presidente ergueu-se lentamente, foi até a janela e observou a cidade. No horizonte, a torre Eiffel piscava em luzes intermitentes. Mas a praça da caixa, envolta por cordões de isolamento e dezenas de câmeras, estava escura, à espera de um gesto.

 

  — Todos os senhores têm argumentos válidos. Disse o presidente, voltando-se para a mesa. — Mas há apenas uma linha que seguiremos.

 

  A tensão era palpável. Um ruído metálico soou do lado de fora: a movimentação dos guardas republicanos.

 

  — Ordem é essencial, mas não à custa do medo. Lei é necessária, mas o povo exige respostas. Diplomacia é nobre, mas não podemos negociar com o desconhecido. E a ciência...

 

  Fez uma pausa. Olhou diretamente para Éloïse.

 

  — ...a ciência é, hoje, nossa única ponte com o que ainda não compreendemos.

 

  Virando-se para os outros ministros, falou com autoridade:

 

  — Ministra Éloïse Lambert, o seu plano será executado. Quero a câmara selada instalada ainda esta noite. A caixa será observada, analisada, e nada será tocado até termos respostas confiáveis.

 

  Os demais ministros assentiram, ainda que com visível desconforto.

 

  Um a um, os ministros deixaram a sala, suas sombras projetadas nas paredes altas.

 

  A porta se fechou. O presidente ficou sozinho, diante da cidade que pulsava de medo, e de uma caixa que pulsava mistério.

 

  O silêncio após a saída dos ministros ainda pairava sobre o gabinete. O presidente pousou as mãos sobre a mesa de carvalho encerada e voltou o olhar para Gérard, que permanecia sentado ao canto, com o caderno aberto, anotações meticulosas alinhadas por tópicos. O presidente já havia observado aquilo antes: quando Gérard escrevia mais do que o necessário, era sinal de que havia percebido algo além do óbvio.

 

  A ministra que havia permanecido falou. — Senhor Presidente, o próximo passo agora é nomear uma pessoa de plena confiança para comandar a operação. Alguém com acesso imediato à inteligência técnica e autonomia sobre a tomada de decisões no campo.

Antes que ela pudesse completar o pensamento, o presidente ergueu a mão, interrompendo-a: — Quanto a essa pessoa... senhora Ministra. já foi resolvido.

 

  Ele então voltou o rosto para Gérard, que permanecia ao lado da porta, como uma sombra atenta. O analista o fitou de volta, percebendo o peso da decisão que caía agora sobre seus ombros.

 

  O presidente voltou-se novamente para a ministra e, apontando para a TV, inquiriu:

 

  O pessoal dessa empresa é mesmo capaz de construir essa câmara antes que esse tempo termine? Perguntou o presidente. Indicando com a cabeça o cronômetro que marcava...

 

  20h 45m da noite em Paris

  09h 15m 12s restante para zerar o cronômetro

 

  A ministra respirou fundo antes de responder. Sua voz era objetiva, sem rodeios:

 

  — Senhor, essa é a melhor equipe especializada em intervenções de risco, logo após eu apresentar o plano preliminar ao meu gabinete antes de apresentar nesta reunião. Eles estão em alerta máximo desde então. Equipamento, protocolo e tecnologia foram preparados com base nos estudos iniciais. Só falta a autorização formal da presidência.

 

  — Você tem essa permissão. Declarou o presidente com firmeza.

 

  Louise assentiu, deu um passo para trás e inclinou-se levemente em sinal de respeito antes de sair da sala.

 

  Assim que cruzou o corredor externo, seu tom com a secretária foi direto:

 

  — Ligue agora para Henri Delacroix. Código “Caixa Um”. Diga que está autorizado a começar.

 

  A porta se fechou com suavidade às suas costas, abafando o ruído abafado da televisão, onde a TF1 já revezava as imagens ao vivo da praça com especialistas debatendo hipóteses, e um novo contador digital agora em destaque: 09:10... 09... 08... 07...

 

  Dentro do gabinete, o presidente recostou-se na poltrona e murmurou apenas para Gérard ouvir:

 

  — Ela tem mais coragem do que a maioria deles.

 

  Gérard anotou essa última frase no canto da página, sem comentar. Ao lado, sublinhado em vermelho, lia-se:

 

  Plano Encontrar— Acesso vertical assistido — Prévia digitalização térmica e vibracional — 09h 05m 15s restante. Prioridade Nível “F”

 

  Ele olhou para o relógio de bolso. Eram era pouco mais de nove horas. A noite de Paris apenas começava.

 

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A Sales
Enviado por A Sales em 20/10/2025
Alterado em 20/10/2025
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Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

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