O presidente ergueu-se lentamente, foi até a janela e observou a cidade. No horizonte, a torre Eiffel piscava em luzes intermitentes. Mas a praça da caixa, envolta por cordões de isolamento e dezenas de câmeras, estava escura, à espera de um gesto.
— Todos os senhores têm argumentos válidos. Disse o presidente, voltando-se para a mesa. — Mas há apenas uma linha que seguiremos.
A tensão era palpável. Um ruído metálico soou do lado de fora: a movimentação dos guardas republicanos.
— Ordem é essencial, mas não à custa do medo. Lei é necessária, mas o povo exige respostas. Diplomacia é nobre, mas não podemos negociar com o desconhecido. E a ciência...
Fez uma pausa. Olhou diretamente para Éloïse.
— ...a ciência é, hoje, nossa única ponte com o que ainda não compreendemos.
Virando-se para os outros ministros, falou com autoridade:
— Ministra Éloïse Lambert, o seu plano será executado. Quero a câmara selada instalada ainda esta noite. A caixa será observada, analisada, e nada será tocado até termos respostas confiáveis.
Os demais ministros assentiram, ainda que com visível desconforto.
Um a um, os ministros deixaram a sala, suas sombras projetadas nas paredes altas.
A porta se fechou. O presidente ficou sozinho, diante da cidade que pulsava de medo, e de uma caixa que pulsava mistério.
O silêncio após a saída dos ministros ainda pairava sobre o gabinete. O presidente pousou as mãos sobre a mesa de carvalho encerada e voltou o olhar para Gérard, que permanecia sentado ao canto, com o caderno aberto, anotações meticulosas alinhadas por tópicos. O presidente já havia observado aquilo antes: quando Gérard escrevia mais do que o necessário, era sinal de que havia percebido algo além do óbvio.
A ministra que havia permanecido falou. — Senhor Presidente, o próximo passo agora é nomear uma pessoa de plena confiança para comandar a operação. Alguém com acesso imediato à inteligência técnica e autonomia sobre a tomada de decisões no campo.
Antes que ela pudesse completar o pensamento, o presidente ergueu a mão, interrompendo-a: — Quanto a essa pessoa... senhora Ministra. já foi resolvido.
Ele então voltou o rosto para Gérard, que permanecia ao lado da porta, como uma sombra atenta. O analista o fitou de volta, percebendo o peso da decisão que caía agora sobre seus ombros.
O presidente voltou-se novamente para a ministra e, apontando para a TV, inquiriu:
O pessoal dessa empresa é mesmo capaz de construir essa câmara antes que esse tempo termine? Perguntou o presidente. Indicando com a cabeça o cronômetro que marcava...
20h 45m da noite em Paris
09h 15m 12s restante para zerar o cronômetro
A ministra respirou fundo antes de responder. Sua voz era objetiva, sem rodeios:
— Senhor, essa é a melhor equipe especializada em intervenções de risco, logo após eu apresentar o plano preliminar ao meu gabinete antes de apresentar nesta reunião. Eles estão em alerta máximo desde então. Equipamento, protocolo e tecnologia foram preparados com base nos estudos iniciais. Só falta a autorização formal da presidência.
— Você tem essa permissão. Declarou o presidente com firmeza.
Louise assentiu, deu um passo para trás e inclinou-se levemente em sinal de respeito antes de sair da sala.
Assim que cruzou o corredor externo, seu tom com a secretária foi direto:
— Ligue agora para Henri Delacroix. Código “Caixa Um”. Diga que está autorizado a começar.
A porta se fechou com suavidade às suas costas, abafando o ruído abafado da televisão, onde a TF1 já revezava as imagens ao vivo da praça com especialistas debatendo hipóteses, e um novo contador digital agora em destaque: 09:10... 09... 08... 07...
Dentro do gabinete, o presidente recostou-se na poltrona e murmurou apenas para Gérard ouvir:
— Ela tem mais coragem do que a maioria deles.
Gérard anotou essa última frase no canto da página, sem comentar. Ao lado, sublinhado em vermelho, lia-se:
Plano Encontrar— Acesso vertical assistido — Prévia digitalização térmica e vibracional — 09h 05m 15s restante. Prioridade Nível “F”
Ele olhou para o relógio de bolso. Eram era pouco mais de nove horas. A noite de Paris apenas começava.
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