A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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A Caixa de Paris 5

 

Poucos minutos antes da reunião no gabinete do presidente Maurice Lemaitre, a secretária Fabienne Lacroix, elegante, com seu habitual rabo de cavalo baixo e alinhado, voz serena, disca o ramal interno da sala presidencial.

 

— Fale, Fabienne. Disse o presidente com voz contida, sem erguer o olhar dos documentos.

 

— Senhor, ele acaba de chegar e está na sala de espera, conforme o senhor orientou. Respondeu a secretária com sua voz baixa, firme, treinada para transmitir segurança mesmo nas situações mais tensas.

 

— Espere que eu lhe diga, e então o traga até mim. Respondeu o Presidente. Fabienne, diga a ele que agradeço por ter vindo. Completou, com uma inflexão de ressentimento disfarçado por formalidade.

 

— Sim, senhor. Eu direi. Respondeu ela, sentada em sua sala adjacente, decorada com papel de parede de tom creme, cortinas pesadas de veludo vinho, uma escrivaninha de mogno escuro com um telefone preto de disco e uma pequena bandeira tricolor sobre uma estante de pastas.

 

Enquanto isso, em toda a cidade, o assunto era o mesmo. Na escola Lycée Louis-le-Grand, dois alunos do último ano conversavam na parte de trás do pátio. — Cara, minha vó sempre falava que essas paradas iam rolar um dia. Tá ligado? Disse um dos garotos, cabelo bagunçado e a cola da prova na mão.

 

— É doido isso. Nem tem ideia de quem deixou aquela caixa lá. Respondeu o outro, com os óculos escorregando pelo nariz enquanto dava uma olhada rápida no decote da amiga que passava. E assim, todos comentavam.

 

Na Place du Palais-Royal, um dos homens do Corpo de Bombeiros de Paris (Sapeurs-pompiers de Paris), ignorando o protocolo de segurança, resolveu agir por conta própria. Aproximou-se da caixa. Quando chegou a menos de um metro, a fumaça roxa cessou. Ele recuou dois passos, olhou para os colegas. A multidão, inquieta, começou a gritar:

 

— Vai! Abre logo isso! Descobre o que tem aí dentro!

 

Incentivado, ele voltou a avançar. Quando estendeu a mão, a caixa começou a vibrar intensamente, mas sem sair do lugar. O bombeiro parou, incrédulo. A caixa, como se respondesse, fez um som de "clic" sob a alça direita em forma de lua minguante. Uma pequena porta se abriu, e um objeto foi arremessado para o alto.

 

O homem recuou bruscamente, caindo de costas sobre os próprios pés. A multidão reagiu com gritos, recuos desordenados, alguns corriam, outros apenas encaravam atônitos.

 

Étienne Marchal, sempre atento, orientou o cinegrafista:

 

— Filma tudo, Laurent! Capta isso!

 

E entrou ao vivo:

 

— Pouco mais de duas da tarde e a praça já se transformou num espaço improvisado de mercado, com pessoas vendendo jornais, garrafas d'água, e até amuletos. Como podem ver nas imagens, o objeto que foi arremessado caiu a cerca de dois metros da caixa. Ninguém ousou tocá-lo.

 

Ele olha o papel em suas mãos e continua:

 

— Volto a dizer, os corpos da jovem Julie Bertrand e do jovem Julien Morel ainda estão estendidos no chão, agora cobertos com lençóis brancos. Nada foi feito. Ninguém diz nada.

 

Ele chama o estúdio:

 

— Arnaud, com você.

 

Arnaud Vallois, no estúdio da TF1, completa:

 

— Vocês viram com seus próprios olhos. O que começou hoje pela manhã como uma curiosidade virou um caso de vida e morte. Dois jovens estão mortos. Um objeto misterioso no centro da praça. A história parece repetir algo que as autoridades insistem em esconder. A população quer respostas. E nós, da TF1, estaremos aqui para contá-las.

 

Na sede da Delacroix Industrie Chimique, a reunião sobre armas químicas perdeu o foco. Henri Delacroix, tenso, assistia às imagens em uma televisão compacta da marca Thomson. O som, antes mudo, estava agora alto o suficiente para ele ouvir claramente o nome que lhe causava mais temor: Julie Morel.

 

Ele pegou o telefone para ligar para sua secretária, mas antes que discasse, a porta se abriu com pressa. Todos voltaram o olhar.

 

— Senhor Henri, desculpe entrar sem anunciar. Disse Geneviève, sua secretária, ofegante e com o rosto iluminado pela esperança. — Achei melhor vir pessoalmente lhe falar sobre seu filho.

 

Henri a interrompeu:

 

— Geneviève... não me diga que é...

 

Ele não concluiu. Ela sorriu, compreensiva.

 

— Não, senhor. Falei com a diretora da escola. Julien está na escola e em sala de aula.

 

Henri afundou na poltrona, aliviado. Os presentes suspiraram. Geneviève permaneceu ali, observando o patrão, que deixou escapar:

 

— Ele nunca quis usar meu sobrenome. Usa o da mãe, depois que nos separamos. Morel.

 

De volta à praça, Étienne Marchal mostrava um casal desesperado sendo contido pela Brigada. A mulher, em prantos, gritava ser mãe de Julien Morel. Ao fundo, as câmeras captaram a chegada de cinco carros escuros pelo acesso lateral, em direção ao ponto onde estava montado o centro de comando da Brigada Criminelle, ainda a única autoridade presente no local.

 

 

Capítulo 4 - 5 - Capítulo 6

 

A Sales
Enviado por A Sales em 17/10/2025
Alterado em 19/10/2025
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Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

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