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MOTE
Se uma lágrima as pálpebras me inunda
Não me perguntem razão por que choro
São tantas as dores que em mim fecundam
Difícil de falar, por isso imploro,
Não me forcem lembrar a triste pena!
Se um suspiro nos seios treme ainda
É porque ainda vive em mim, serena,
As plúmbeas sombras de um amor que finda,
Mas que insistem em se fazer profundas
Nesse frágil coração que o adotou.
É pela virgem que sonhei...que nunca
Nem mesmo em sonhos meu amor provou.
Amor platônico, tão longe e perto
Pois, destarte, vive em meu peito, ainda!
Esse amor, tão somente sonho, nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Cinza - Álvares de Azevedo
Preto - Erivas a Guardiã
Azul - Corvo do Silêncio
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GLOSA
No silêncio que abraço e que me escuta,
Se uma lágrima as pálpebras me inunda
Cresce a mágoa que o tempo não devolve.
Não me perguntem razão por que choro
São tantas as dores que em mim fecundam
Difícil de falar, por isso imploro,
Pois há sombras que o peito não refuta,
Há perguntas que o coração não resolve.
E tudo volta em sombra de martírio,
Como se a dor buscasse nova força,
Pois cada gesto meu de calmaria
É tempestade antiga que se inunda.
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Não me peçam tocar o que ainda sangra,
… Não me forcem lembrar a triste pena!
Que há dores que o silêncio sempre abarca.
Se um suspiro nos seios treme ainda
É chama antiga que insiste em se revelar.
É porque ainda vive em mim, serena,
As plúmbeas sombras de um amor que finda,
Pois toda ausência é dor que não se educa,
E o vento traz o som da lembrança,
Mesmo que a noite em pranto me defina.
E o peito busca a mínima esperança,
Um sopro leve onde a paz se destina.
Mas volta a dor, toque que me domina.
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E quanto mais me afasto, mais retorna,
… Mas que insistem em se fazer profundas
Nesse frágil coração que o adotou.
Pois pesa o sonho que jamais vivi.
Amor que cresce apenas por lembrar,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Mas mesmo assim, criou raiz em mim.
Nem mesmo em sonhos meu amor provou.
São ilusões que o espírito não solta,
E o tempo as quebra, embora poucas morram.
E no meu peito a solidão se enlaça,
E tece ausências que a memória entorna.
E o sonho insiste, mesmo sem resposta,
E acende a dor que a alma ainda suporta
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É chama tênue, oculta ao vasto mundo,
Mas que em silêncio aprende a florescer.
Amor platônico, tão longe e perto
Pois... destarte, vive em meu peito, ainda!
Esse amor, tão somente sonho... nunca
É laço ingênuo, frágil e tão profundo,
Nascido do gesto mudo de te ver.
Aos lábios me encostou a face linda!
E mesmo etéreo, solto na distância,
Guardo o fulgor que em mim sempre ilumina.
É amor que vive da breve esperança,
E mesmo irreal, minha alma o destina.
Pois sendo sombra que em silêncio afina,
Ainda assim persiste e me encaminha.
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Há lembranças que voltam como sombras silenciosas, tocando o peito com a mesma dor antiga que nunca adormeceu. É estranho como a alma guarda aquilo que o tempo tentou levar. Um suspiro perdido, um amor que não floresceu, um sonho que não encontrou forma. Ainda assim, é na fragilidade desses sentimentos que descubro quem sou, alguém que vive do que sente, mesmo quando nada resta senão a saudade e dor.
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