A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Tardes que o Tempo Não Levou

 

Era domingo e o mundo parecia tão calmo,

o céu guardava um azul que não existe mais,

os risos vinham leves, soprados pelo vento,

e a rua inteira sabia nosso nome,

como se a infância fosse eterna.

 

O rádio tocava histórias que viravam sonhos,

e entre um bolero e outro, o tempo parava,

a casa cheirava a Jasmim pela manhã

e tudo parecia tão certo, tão nosso,

como se viver fosse simples assim.

 

Os amigos chamavam da calçada poeirenta,

corríamos sem medo, sem pressa, sem destino,

a tarde se estendia, como um abraço antigo,

e a vida, tão pequena, cabia num quintal,

feito promessa, que a gente acreditava.

 

Havia sorrisos que hoje só moram na lembrança,

e vozes que o tempo tratou de silenciar,

mas o coração ainda escuta cada uma delas,

num som doce que insiste em ficar,

como canção tocada, numa vitrola cansada.

 

E quando fecho os olhos, volto àquele domingo,

onde tudo era brilho inocência e vontade,

um retrato amarelado que não desbota jamais,

um pedaço de mim que continua vivo,

nas jovens tardes que o tempo não levou.

 

 

 

A Sales
Enviado por A Sales em 19/11/2025
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