Querem conhecer a mulher
na imagem vestida de coruja?
Ela caminha onde os véus se desfazem,
entre os vivos que pouco a baseiam.
Aurora, névoa em corpo de prata,
surge quando a esperança se retrata.
Seus olhos não pertencem à carne,
mas ao além que ninguém alcance.
Sua voz é lamento e profecia,
som entre o dia e a agonia.
Um leão azul ruge por trás,
força espectral de reinos ancestrais.
Ela sorri indicando que já partiu,
mas nunca se ausentou do frio.
Seu corpo vibra em pulsos quebrados,
em névoa os gestos são dados.
Ela dança sobre as cinzas do tempo,
como sombra que desafia o vento.
E quando a nova Guardiã ergue os olhos,
Aurora responde entre espólios,
"Sou a metade que não morre,
e a alma que nunca escorre."

Ela caminha com fenda alta, sim.
Mas a alma, essa, é abismo profundo.
Quem tenta mergulhar com olhos lascivos,
afoga-se no peso de sua própria fraqueza.
