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Textos

A Caixa de Paris 3

As Ordens Silenciosas

Quando as respostas não vêm, os segredos se movimentam nas sombras

 

As horas corriam como uma enxurrada, e o sol já pairava alto sobre a cidade. Passava do meio-dia, e a Place du Palais-Royal continuava tomada por um silêncio espesso, apenas interrompido pelos murmúrios da multidão que se recusava a ir embora. A fumaça arroxeada ainda emanava da caixa, e os agentes da polícia local mantinham um cordão cada vez mais instável, tentando conter o avanço popular. Do alto dos prédios vizinhos, câmeras de imprensa captavam cada detalhe, mas ninguém, nem mesmo os repórteres mais experientes, sabia o que dizer.

 

Enquanto isso, do outro lado da cidade, nos arredores de Neuilly-sur-Seine, em um prédio discreto de fachada cinza e vidros opacos, funcionava o Bureau Central d’Investigation Surnaturelle, o “BCIS”, uma unidade secreta do governo francês criada nos anos 1950 para lidar com casos fora do escopo convencional da polícia. Teoricamente extinta após 1972, a agência ainda operava em silêncio, com orçamentos ocultos e estrutura camuflada sob o nome de um centro de estudos climáticos.

 

A sede era um edifício de quatro andares com colunas sólidas, sem letreiros, ladeado por árvores bem podadas e protegido por dois portões automáticos. Internamente, corredores estreitos, luzes de neon, carpete verde-escuro e paredes revestidas de madeira. A sala principal de análise, conhecida como “Salle Delta”, vibrava com os ruídos abafados dos televisores transmitindo o noticiário ao vivo.

 

A imagem volta ao estúdio do telejornal France Soir. O âncora, de terno escuro e expressão contida, encara a câmera com seriedade. Atrás dele, uma fotografia da Place du Palais-Royal com a misteriosa caixa ao centro ocupa a tela. A legenda abaixo diz: “Mistério em Paris. Dois jovens caem mortos próximo a objeto que tem a forma de uma caixa.”

 

— E voltamos com imagens ao vivo direto da Place du Palais-Royal, onde está nosso repórter Damien Carrel, acompanhando de perto este estranho e trágico acontecimento que vem paralisando Paris nesta manhã de domingo. Damien Carrel, alguma novidade? A polícia já se manifestou? Há reforço da segurança no local?

 

A imagem corta para Damien Carrel, de sobretudo bege e microfone em punho, com a praça ao fundo. A multidão segue contida atrás de grades improvisadas pela Brigade Criminelle. O som abafado de sirenes e helicópteros ainda paira no ar.

 

— “Nada mudou por aqui, Jacques. Continuamos com a presença única da Brigade Criminelle, os investigadores especializados em crimes violentos. Eles estão ali, ao redor da caixa, mas não deram declarações e, pelo que percebo, ou não sabem de fato o que está acontecendo, ou preferem não dizer. A atmosfera aqui é de tensão crescente.”

 

Ele fez uma pausa, ajusta o ponto no ouvido e segue, com o olhar voltado para a movimentação dos peritos ao redor dos corpos.

 

— Você já sabe os nomes das vitimas ou eles também não dizem? Pergunta o âncora. — “Sim, agora há pouco consegui, com exclusividade, os nomes dos jovens que caíram mortos ao lado da misteriosa caixa. Informações que me foram passadas por um oficial da Brigada que preferiu não ter seu nome revelado.

 

Damien Carrel olha diretamente para a câmera, em tom contido:

 

— “O rapaz se chamava Julien Morel, 23 anos, estudante de história na Sorbonne. E a jovem, segundo a mesma fonte, era Julie Bertrand, também com cerca de 23 anos, aparentemente colega ou conhecida dele. Ainda não há confirmação sobre o vínculo exato entre os dois. Ambos estavam apenas passando pela praça quando ele, Julien decidiu ver a caixa de perto. Ela ao ver ele caído no chão foi ajudar e aconteceu de os dois perderem suas vidas.”

 

Ele respira fundo, o silêncio do entorno só é quebrado por flashes de câmeras e murmúrios da multidão.

 

— “É isso, Jacques. Assim que tivermos mais atualizações, volto ao estúdio. De Paris, Damien Carrel, para o France Soir.”

 

A transmissão retorna ao estúdio. O âncora se recompõe, voltando-se ao público:

 

— “A qualquer momento, traremos novas informações ao vivo da Place du Palais-Royal. Repetimos: até agora, nenhuma nota oficial do governo francês foi emitida. Silêncio absoluto do Ministério do Interior e do gabinete presidencial.”

 

Enquanto isso, em outro ponto da cidade...

 

Na ampla sala de reuniões do último andar da sede da Delacroix Industrie Chimique, uma das maiores fornecedoras de tecnologia militar e química da França, a conversa girava em torno de um novo contrato com o governo envolvendo compostos defensivos para uso em guerras biológicas. A mesa estava repleta de pastas, copos de café e cigarros acesos, típico de reuniões corporativas.

 

Sentado à cabeceira da mesa, o empresário Henri Delacroix, homem de 54 anos, usava um terno escuro de corte fino e segurava uma caneta Montblanc entre os dedos. Um assessor cochichava algo sobre índices de exportação, mas Henri parecia disperso. Seus olhos estavam cravados na televisão pequena que transmitia, sem som, o boletim extraordinário do France Soir.

 

E então ele viu. O nome.

 

Julien Morel. Na legenda junto ao corpo.

 

Por um instante, o rosto de Henri perdeu a cor. Ele se levantou bruscamente, afastando a cadeira, e caminhou até a mesa lateral onde estava o telefone com fio.

 

— Danielle, disse, ao telefone, com a voz firme, mas baixa. “Ligue agora para o meu filho. Ligue para casa, para o dormitório, para onde for. Descubra se ele chegou à universidade. Ele saiu hoje cedo, insistiu em ir a pé, com dois colegas. Ligue para todos.”

 

Do outro lado da linha, sua secretária, acostumada ao tom impositivo do patrão, não hesitou.

— Sim, monsieur Delacroix. Agora mesmo.

 

Henri desligou e permaneceu parado, olhando fixamente para a tela, onde a imagem de Damien Carrel voltava a mostrar os corpos ao lado da caixa. Ele conhecia aquele nome. Conhecia muito bem.

 

O contrato sobre armas químicas, a presença de ministros e oficiais, tudo isso, naquele momento, deixara de importar.

 

 

Capítulo 2 - 3 - Capítulo 4

 

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Enviado por A Sales em 17/10/2025
Alterado em 18/10/2025
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  Um livro poético escrito em sonetos que te leva desde a amizade, passando pela paixão até o amor. Uma viagem nestes sentimentos com uma escrita leve, senssivel e compreenssivel.

Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

Há palavras que nunca foram ditas,
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Este livro é um mergulho no espaço entre as vozes,
nas pausas, nos gestos interrompidos,
e nas emoções que o silêncio guarda.