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"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Textos

A Redenção de Moisés

O Chamado no Deserto

 

O vento do deserto soprava entre as dunas, carregando consigo grãos de areia que picavam a pele como agulhas. O sol se erguia implacável, tingindo de dourado as montanhas distantes, e Moisés, agora pastor, guiava lentamente o rebanho de Jetro em busca de pasto e água.

Os anos haviam passado silenciosos, marcados apenas pelo ciclo das estações, pelo nascer e pelo pôr do sol, pelo balido das ovelhas e pelo choro de seus filhos com Zípora. O príncipe do Egito parecia uma lembrança distante, quase um sonho esquecido. Em seu lugar estava o pastor de Midiã, vestido com túnicas rústicas, com os pés calejados pelas pedras e a barba que denunciava a passagem do tempo.

No entanto, havia em Moisés um peso que nem mesmo o silêncio do deserto conseguia apagar, a sensação de que sua vida tinha sido interrompida, de que algo maior o aguardava. Em muitas noites, enquanto contemplava o céu estrelado, lembrava-se das histórias que ouvira em sua infância, as promessas de Deus a Abraão, Isaque e Jacó, e o clamor do povo escravizado no Egito.

Quantas vezes ele mesmo se perguntara: “Será que Deus se esqueceu deles? Será que o Senhor se esqueceu de mim?”

 O Monte Horebe e o fogo que não consome

Foi durante uma dessas jornadas que seus passos o levaram ao sopé do Monte Horebe, conhecido pelos nômades como o monte de Deus. Ali, em meio a pedras e arbustos secos, Moisés avistou algo incomum, um arbusto em chamas. Mas não era fogo comum. As labaredas ardiam intensas, dançavam ao vento, iluminavam o lugar como se fosse meio-dia, mas o arbusto não se consumia.

Intrigado, Moisés se aproximou, levando consigo o cajado que agora era extensão de suas mãos. O coração batia forte. Algo naquele fogo parecia chamá-lo. E foi então que ouviu uma voz, firme como trovão, mas doce como brisa:

— Moisés, Moisés!

O pastor estremeceu. Olhou em todas as direções, mas a voz vinha de dentro da chama.

— Eis-me aqui, respondeu, com a voz embargada.

E a voz prosseguiu:

— Não te aproximes. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que estás é terra santa. Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.

Ao ouvir aquilo, Moisés cobriu o rosto com as mãos. O temor percorreu todo o seu corpo. Aquele não era um fogo comum. Era a manifestação do próprio Deus.

E Deus falou mais:

— Tenho visto a aflição do meu povo que está no Egito e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus opressores. Desci para livrá-los da mão dos egípcios e para fazê-los subir a uma terra boa e larga, terra que mana leite e mel. Cada palavra penetrava em Moisés como flecha ardente. O povo não havia sido esquecido. O Deus dos patriarcas estava atento. Mas então veio a parte mais inesperada.

— Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.

Moisés recuou, o coração disparado. Ele? Um pastor esquecido no deserto? Um fugitivo acusado de homicídio? Um homem que mal sabia falar com clareza?

— Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel? Perguntou, com voz quase de choro.

Mas Deus respondeu com a promessa que mudaria tudo.

— Eu serei contigo.

 A insegurança de um homem e a paciência de Deus

Moisés não conseguia aceitar tão facilmente. A cada resposta de Deus, ele apresentava uma objeção.

— Mas, se perguntarem qual é o Teu nome, o que direi?

E Deus disse:

— EU SOU O QUE SOU. Assim dirás aos filhos de Israel. EU SOU me enviou a vós.

Ainda inseguro, Moisés insistiu.

— Eles não acreditarão em mim, não me ouvirão.

Então o Senhor lhe deu sinais, ordenou que lançasse o cajado ao chão, e ele se transformou em serpente; mandou que colocasse a mão no peito, e ela saiu leprosa, mas logo foi restaurada. Era o poder de Deus mostrando que não seria Moisés quem realizaria a libertação, mas o Senhor por meio dele.

Mesmo assim, Moisés tentou recuar.

— Ah, Senhor, eu não sou eloquente, nunca fui. Tenho a boca pesada e a língua pesada.

A paciência divina mais uma vez respondeu.

— Quem fez a boca do homem? Quem faz o mudo ou o surdo, o que vê ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois eu estarei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.

Mas o coração humano, tão cheio de medos, ainda resistia.

— Ah, Senhor, envia aquele que hás de enviar, mas não a mim.

A ira de Deus se acendeu, mas mesmo em Sua ira houve misericórdia.

— Porventura não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele fala bem. Ele será por boca para ti, e tu lhe serás por Deus.

Assim, o cajado que Moisés carregava como simples instrumento de pastor tornou-se símbolo de autoridade divina. Com ele, não apenas conduziria ovelhas, mas lideraria uma nação inteira.

Reflexão para os dias de hoje

O chamado de Moisés no deserto soa em nossas vidas de maneira impressionante. Muitas vezes, assim como ele, carregamos o peso de um passado que nos condena, de medos que nos paralisam, de inseguranças que nos fazem acreditar que não somos capazes.

Moisés tinha todos os motivos humanos para dizer “não”, não era eloquente, já havia falhado no Egito, estava esquecido no deserto. E, no entanto, foi justamente aí que Deus o chamou. Isso nos ensina que o chamado divino não depende das nossas habilidades, mas da presença d’Ele conosco.

Quantos de nós já ouvimos dentro do coração um chamado que parecia maior do que nossas forças? Quantos sentimos que não temos dons suficientes, ou que nosso passado nos desqualifica? Mas a resposta de Deus continua sendo a mesma, “Eu serei contigo.”

O arbusto que ardia e não se consumia também fala de nós. Muitas vezes nos sentimos queimados pelas lutas, pelo desgaste, pelas provações da vida. Mas quando a chama que nos sustenta é a presença de Deus, não somos consumidos.

O deserto, lugar de esquecimento, se transforma em lugar de revelação. O cajado comum se torna instrumento de milagres. O homem inseguro se torna libertador. Essa é a lição do chamado de Moisés, Deus transforma o ordinário em extraordinário quando dizemos “Eis-me aqui”.

 

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Enviado por A Sales em 06/09/2025
Alterado em 06/09/2025
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Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

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Este livro é um mergulho no espaço entre as vozes,
nas pausas, nos gestos interrompidos,
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