
Um vulto dança quando a noite vem,
Reflexo de lembrança mal contida,
Um resto de paixão ainda erguida
Nos corredores além do que se tem.
São sombras que não dizem quem, nem quem,
Apenas guardam dor não repartida,
Ferida que se fez da própria vida,
soando onde a alma já não tem.
Amor que se constrói sem se firmar,
Silhueta que não toca o seu contorno,
Fantasma de um calor sem existir.
E eu sigo a procurar, sem encontrar,
Nas trevas do desejo tão sem dono,
A sombra de um amor que não há de vir.

A beleza da mulher nasce da coragem de ser quem ela é.