A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato
Textos

Este poema foi escrito no décimo dia

que meu pai deu entrada no leito. Cinco meses

depois ele faleceu.

Este e outros poemas, sonetos, cartas para

Deus que escreveu num momento

em que já não sabia qual sentimento

realmente eu tinha. Se o de não poder fazer nada,

ou o de saber que estava sendo feito 

tudo que era possível fazer...

Mais ver ló deitado dia após dia acreditando

que no dia seguinte eu o veria andando,

era só a esperança de um filho.

Hoje, exatamente neste dia, faz dois anos

que partiu rumo a Deus que ele sempre rogou

em suas orações.

Nos falamos poucos, mais me ensinou muito.

Agradeço meu pai.  

 

Esperança na Sala de Espera

 

Dez dias se foram,

como se o tempo tivesse parado,

como se cada segundo

fosse um grão de areia

em uma ampulheta quebrada.

Meu pai, antes forte,

agora é um corpo silencioso,

enquanto nós, filhos,

esperamos por uma resposta

que parece nunca vir.

 

A noite chegou com o frio,

e ele, sem palavras,

tentou nos dizer algo

que não conseguimos entender.

Levá-lo ao hospital

foi um ato de desespero,

uma tentativa de lutar

contra o invisível,

contra o desconhecido.

 

No décimo dia,

a esperança ainda respira,

frágil, mas presente,

e eu me pego orando,

procurando por um túnel,

por uma luz

que mim guiasse na escuridão.

E então,

como um milagre,

o boletim médico traz

um vislumbre de melhora,

uma esperança para a vida

em meio ao caos.

 

Agora, na sala de espera,

onde os sonhos se misturam

com as preces,

eu vejo a luz da aurora,

um prenúncio de dias melhores.

Que as máquinas parem de piscar,

que o frio seja levado pelo vento,

e que meu pai,

de volta à sua cadeira na varanda,

possa sentir o calor do sol

em sua pele uma vez mais.

 

 

 

 

A Sales
Enviado por A Sales em 13/08/2026
Alterado em 13/08/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários

  Um livro poético escrito em sonetos que te leva desde a amizade, passando pela paixão até o amor. Uma viagem nestes sentimentos com uma escrita leve, senssivel e compreenssivel.

Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

Há palavras que nunca foram ditas,
e, mesmo assim, soam dentro de nós.
Este livro é um mergulho no espaço entre as vozes,
nas pausas, nos gestos interrompidos,
e nas emoções que o silêncio guarda.