A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Castelo de Erivas (Homenagem) Parte - 8

 

Os aplausos ainda soavam entre os presentes no Castelo quando a Condessa A Morcega aproximou-se do casal. Seu habitual porte altivo deu lugar a uma expressão de sincera admiração. Por um breve instante, esqueceu os convidados, a música e até mesmo o protocolo da corte.

 

Seus olhos encontraram os da Condessa. A elegância daquela dama francesa ultrapassava qualquer descrição que lhe chegara durante os preparativos do baile.

 

A delicadeza de seus gestos. A serenidade de seu sorriso. A maneira como sustentava a postura. Tudo parecia possuir a mesma harmonia das grandes damas retratadas nos antigos salões reais.

 

A Condessa A Morcega aproximou-se. Tomou delicadamente as mãos da visitante.

 

— Minha querida Condessa... finalmente nossos caminhos se encontraram.

 

A Condessa da Ilha de France respondeu com a mesma delicadeza.

 

— A honra é inteiramente minha. Durante toda a travessia ouvi histórias sobre Vossa Senhoria. Ela olha para o Conde Lucas Louis que disfarça olhando em volta. Devo dizer, que nenhuma delas foi capaz de descrever o encanto do que agora vejo.

 

As duas sorriram.

 

Por alguns instantes pareciam velhas amigas reencontrando-se depois de muitos anos.

 

O Conde Lucas Louis observava a cena com discreta satisfação.

 

Ao redor, os convidados acompanhavam aquele encontro quase sem respirar. Afinal, era preciso um baile em castelo para unir tantas personalidades importantes do reino.

 

A Poetisa dos Astros levou discretamente a mão ao peito. Anna sorriu emocionada. Mesmo os homens e mulheres das vilas compreendiam que presenciavam um momento raro.

 

Uma jovem comentou em voz baixa:

— Parecem duas rainhas...

Outra respondeu:

— Não... parecem duas irmãs que o destino resolveu nos apresentar apenas hoje.

 

Com delicadeza,  a Condessa A Morcega ofereceu-lhe o braço.

 

— Permita-me conduzi-los até a mesa preparada especialmente para Vossas Senhorias. 

 

O casal aceitou.

 

Enquanto atravessavam lentamente o salão, todos abriram passagem em respeitoso silêncio.

 

Somente quando ambos tomaram seus lugares é que as conversas voltaram a preencher discretamente o ambiente.

 

Momentos antes...

 

Muito além da percepção dos presentes, a voz do Marquês A Sales atravessou silenciosamente os limites entre os mundos.

Corvo do Silêncio recebeu o chamado. Sem demora, transmitiu a mensagem à Condessa A Morcega.

 

— Senhora... o Marquês pede que saiba de um fato antes da próxima apresentação.

 

A Condessa voltou-se rapidamente. Estranhou ouvir aquelas palavras sem identificar de onde realmente provinham.

 

Seu olhar percorreu o salão. Nada.

 

Durante toda a sua longa existência acreditara que apenas ela e o Conde Morcego possuíam capacidades tão extraordinárias.

 

Quem mais poderia comunicar-se daquela maneira? Guardou a pergunta para outro momento.

 

A mensagem continuou.

 

— Entre os convidados encontra-se uma ilustre contista das histórias reais, amiga de muitos anos do Conde Lucas Louis.

 

A Condessa voltou imediatamente seu extraordinário olhar para o salão.

 

Graças à visão incomum que possuía, distinguiu uma figura sentada entre os convidados.

 

Então reconheceu-a. Um discreto sorriso iluminou lhe o rosto.

 

Era justamente a célebre autora que encantara todo o reino com a história do pequeno garoto e de seu misterioso amigo vindo de outro mundo, Elvis.

 

Mas, entre todas as suas obras, havia uma que ocupava lugar especial em seu coração. A Vovó Vida Louca.

 

A Condessa sorriu consigo mesma.

 

— Então... até ela está aqui... Por esta o Conde Lucas não espera. Ela pensou.

 

Na elegante mesa reservada aos convidados franceses já se encontrava a ilustre dama. Poucos sabiam que, além de escritora celebrada, era também uma Duquesa.

 

Vestia um magnífico traje de veludo verde-esmeralda profundo, enriquecido por delicados bordados em fios de ouro antigo que desenhavam folhas de louro e pequenas flores inspiradas nos jardins do seu palácio. O corpete ajustado era ornamentado por discretas pérolas naturais, enquanto amplas mangas terminavam em rendas finíssimas. Sobre os cabelos repousava um delicado hennin revestido por seda negra e um véu transparente que caía suavemente até os ombros.

 

Era uma elegância silenciosa. Daquelas que não necessitavam anunciar sua importância. 

Quando o Conde Lucas Louis voltou o rosto e a reconheceu, permaneceu imóvel por um breve instante.

 

Os dois aproximaram-se e trocaram um caloroso cumprimento, digno de amigos cuja estima resistira ao tempo e à distância.

 

A esposa do Conde observava a cena com sincera alegria. Sabia o quanto aquela amizade significava para o marido.

 

A Condessa A Morcega acompanhava tudo emocionada. Aquela reunião de pessoas tão importantes para tantos reinos diferentes transformava sua celebração em algo muito maior do que imaginara.

Parecia que o próprio destino conduzira cada convidado até o castelo de Erivas.

 

Quando o salão recuperou o silêncio, a Condessa A Morcega caminhou novamente até o centro.

As centenas de velas refletiam-se na pulseira de obsidiana que repousava discretamente em seu pulso.

 

Respirou profundamente. Seu sorriso revelava uma alegria difícil de esconder. Ergueu lentamente a mão. Todos compreenderam que chegara o momento mais esperado da noite.  A música cessou. Os convidados levantaram os olhos.

 

Entre todos os presentes, apenas o Duque Felipe Félix, o Mestre das Interações, a Poetisa da corte real, Suzete Palitos Anna, Dom Lourenço de Vilar, o Marquês A Sales, ainda distante, conduzindo silenciosamente cada etapa do plano, e o Conde Morcego conheciam a verdadeira dimensão do instante que se aproximava.

 

Com a voz levemente embargada pela emoção, a Condessa anunciou:

 

— Meus ilustres convidados... tenho agora a mais elevada honra desta noite.

 

Fez uma breve pausa.

 

Então pronunciou o nome que faria o Castelo de Erivas jamais ser lembrado da mesma forma.

 

— A nossa Guardiã... Erivas...

 

 

— Nesse instante todos os olhares se voltam para a direção das janelas do castelo, que era possível ver um grande clarão.

 

Continua...

 

A Sales
Enviado por A Sales em 02/08/2026
Alterado em 08/08/2026
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Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

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