A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Textos

Nobres amigos, ontem não pode postar os capítulos da continuação,

mais acreditem, o baile continua e com belas apresentações.

 

 

  Castelo de Erivas (Homenagem) Parte - 7

 

O céu, que até então parecia apenas observar a chegada dos convidados como um silencioso anfitrião daquela memorável noite, desconhecia que também era contemplado por olhos incomuns. Olhos capazes de perceber o menor desvio das nuvens, a mais discreta mudança na direção do vento ou o instante exato em que uma estrela alterava seu brilho.

Algo começava a mudar.

 

No interior do grande salão, a Condessa A Morcega respirou profundamente. O momento pelo qual trabalhara durante tantos dias enfim chegara. Caminhou com elegância até o centro do salão quando ouviu a voz de sua fiel governanta.

 

— Senhora...

 

A Condessa voltou-se.

 

Anna aproximou-se segurando um pequeno estojo revestido de veludo negro.

 

— Percebi que Vossa Senhoria permaneceu indecisa quanto ao uso desta pulseira de obsidiana, aquela que o Marquês A Sales pediu que fosse entregue em vossa residência poucos dias após o primeiro baile de Erivas.

 

A Condessa permaneceu em silêncio, observando o objeto.

Anna abriu cuidadosamente o estojo.

 

Ali repousava uma pulseira formada por esferas perfeitamente polidas de obsidiana negra, interligadas por delicadas peças de prata envelhecida. No centro havia uma pedra maior, lapidada em forma de lua crescente, circundada por cinco pequenas estrelas esculpidas na própria prata. À luz das velas, a superfície escura refletia discretos tons azulados, como se escondesse um céu noturno em seu interior.

 

— Tomei a liberdade de trazê-la. Julguei que este fosse o momento exato para usá-la.

A Condessa sorriu com gratidão.

 

— Obrigada, Anna. Sempre sabes escolher o momento certo.

Com delicadeza colocou a pulseira no pulso esquerdo.

 

Anna observava atentamente.

 

Naquele exato instante, muito distante dali, na residência do Marquês A Sales, algo extraordinário acontecia. No centro de sua biblioteca, seis antigas gemas flutuavam silenciosamente acima de uma mesa de carvalho. Cinco delas começaram a girar lentamente, formando um perfeito círculo antes de ocuparem as extremidades invisíveis de uma estrela de cinco pontas. A sexta permaneceu exatamente no centro.

 

Subitamente, delicados feixes de luz azul prateada uniram a pedra central as cinco exteriores, desenhando no ar uma luminosa estrela mística. Ao mesmo tempo, um brilho idêntico percorreu a pulseira recém-colocada pela Condessa A Morcega.

 

Foi apenas um breve lampejo. Discreto. Quase imperceptível. Ela nada percebeu.

A emoção de iniciar o baile ocupava completamente seus pensamentos.

 

O Marquês contemplou aquela formação com expressão séria.

— Então... começou. Sem demora aproximou-se da janela. Ergueu lentamente a mão direita.

Os antigos ensinamentos da misteriosa Ordem dos Corvos do Véu permitiam-lhe atravessar, ainda que por breves instantes, a tênue fronteira entre os mundos.

 

Seu pensamento transformou-se em um silencioso chamado. Do outro lado da distância, Corvo do Silêncio recebeu o aviso. Sem uma única palavra.

 

Momentos antes, quando Anna conduzira discretamente a Condessa até o terraço para contemplar os convidados reunidos diante do castelo, aproveitara a ausência da senhora para erguer discretamente um pequeno lenço negro junto ao corrimão.

 

No piso superior do salão, uma criada aguardava exatamente aquele sinal. Assim que o viu, afastou-se rapidamente. Percorreu o corredor principal. Poucos instantes depois, todos os responsáveis pela recepção compreenderam que chegara a hora.

 

As grandes portas do salão seriam abertas. O baile começaria.

 

A Condessa voltou ao centro do salão. Estranhamente, já não se incomodava tanto com a decoração. Aquilo que antes estava insuperável em beleza, agora parecia um salão abandonado pelo tempo, lembrava uma antiga galeria senhorial preservada pela memória dos séculos, onde cada pedra carregava histórias de gerações passadas envolvidas em panos velhos e telhas de aranha.

 

Respirou profundamente. Ergueu o olhar. Com um discreto gesto da mão, dirigiu-se à cantora mais respeitada de todo o reino.

 

A artista aproximou-se.

Seu nome era conhecido de norte a sul pelas inesquecíveis Canções do Oceano. Menciona se que ela e o Marquês compuseram várias canções no Condado do Recanto das Letras, onde cada canção era uma resposta da admiração da outra, foram melodias capazes de emocionar marinheiros, nobres e camponeses.

 

Mas poucos ali presente sabiam que ela também carregava um antigo título de nobreza. Era também uma Marquesa.

 

Desceu lentamente a ampla escadaria do salão. Vestia um magnífico traje confeccionado em veludo azul-marinho profundo, cuja superfície parecia refletir as águas do Atlântico sob o luar. Sobre a saia, delicados bordados em fios de prata desenhavam ondas, luas crescentes e pequenos morcegos estilizados que surgiam discretamente entre arabescos góticos. O corpete ajustado recebia pequenas pedras negras que lembravam estrelas espalhadas pelo céu. Uma longa capa de tecido leve acompanhava seus movimentos como se fosse feita da própria brisa do mar.

 

A simplicidade da composição apenas valorizava ainda mais sua elegância. Todos voltaram os olhos para ela. Inclusive aqueles vindos das vilas, das campinas e dos mercados.

 

Homens simples. Mulheres trabalhadoras. Eles, jamais haviam contemplado tão de perto tamanha riqueza de tecidos, joias e vestes.

 

Um velho artesão comentou emocionado:

 

— Parece uma rainha saída das histórias que meu avô contava.

Uma jovem falou.

 

— Olhe bem... talvez nunca mais vejamos tamanha beleza reunida num único lugar.

Era exatamente por momentos assim que a Condessa A Morcega insistia em abrir seus bailes também ao povo.

 

Para ela, a beleza jamais deveria pertencer apenas aos palácios.

 

Enquanto a música iniciava seus primeiros acordes, duas figuras permaneciam discretamente próximas a uma das grandes colunas do salão.

 

Corvo do Silêncio. Já alertado do momento. E Dom Lourenço de Vilar, o fiel Mordomo-Mor do Marquês A Sales.

 

Durante alguns instantes, o velho mordomo observou atentamente aquele homem silencioso. Havia algo em seus gestos... Na postura... Na serenidade do olhar... Que lhe parecia estranhamente familiar. Então compreendeu. Levantou discretamente as sobrancelhas. Sem dizer palavra alguma, sorriu consigo mesmo. "Há tantos anos servindo meu senhor... e ele ainda consegue enganar-me com o seu outro ser.”

Continua...

A Sales
Enviado por A Sales em 31/07/2026
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Comentários

  Um livro poético escrito em sonetos que te leva desde a amizade, passando pela paixão até o amor. Uma viagem nestes sentimentos com uma escrita leve, senssivel e compreenssivel.

Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

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Este livro é um mergulho no espaço entre as vozes,
nas pausas, nos gestos interrompidos,
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