A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Castelo de Erivas (Homenagem) Parte 4 - 2

 

— Meu senhor, Conde Morcego, já podemos ir. O Conde confirmou. — Sim. Você irá na frente. Ainda preciso concluir uma pequena surpresa para a homenageada. Chegarei a tempo. Trocaram um breve olhar antes de se despedirem. A carruagem partiu.

 

Em várias propriedades nobres, outras carruagens também deixavam seus portões, conduzindo marqueses, condes, damas, cavalheiros e membros das mais respeitadas famílias rumo ao Castelo de Erivas.

 

Na residência do Marquês A Sales, Dom Lourenço voltou a aproximar-se. — Senhor... se a governanta Anna permaneceu o tempo inteiro ao lado da Condessa A Morcega, como foi possível saber exatamente quando o Conde Morcego a retiraria do castelo? O Marquês respondeu prontamente.

 

— Isso devo ao nobre cavaleiro que faz parte do circulo da Condessa, e a um de seus mais fiéis serviçais na casa da Condessa Morcega.

O mordomo abriu um sorriso. — O homem dos cestos de frutas... aquele que fingia estar perdido. — Exatamente. O Marquês prosseguiu.

 

— Anna entregou-lhe discretamente um pequeno bilhete informando o horário da saída. Ele trouxe a mensagem até mim por ordem de seu senhor. Lembre-me meu amigo de escrever uma mensagem e mandar ao condado do nobre cavaleiro por esta grande ajuda que foi importante para que tudo dê certo. Dom Lourenço permaneceu alguns instantes em absoluto silêncio. Quanto mais conhecia os detalhes daquele plano, maior se tornava sua admiração. Cada movimento parecia ter sido previsto semanas antes, como se seu senhor enxergasse muitos passos além dos demais.

 

Então ouviu outra ordem inesperada. — Agora apronte-se. Você também irá ao baile. O mordomo arregalou os olhos. — Senhor..., mas não posso deixar esta casa desprotegida. O Marquês sorriu. — Não te preocupes. Convidei um velho amigo noturno para essa missão. Corvo do Silêncio será meus olhos durante nossa ausência. — O homem de quem dizem caminhar entre os dois mundos? — Exatamente.

 

Faltava apenas uma hora para o início do baile. A noite anunciava sua chegada quando a elegante carruagem negra da Condessa A Morcega atravessou os portões do Castelo de Erivas. Diversos convidados já se encontravam nos jardins: nobres, cavaleiros, damas, religiosos, mercadores ilustres, músicos e oficiais da guarda conversavam sob o brilho das tochas.

 

Quando a Condessa desceu da carruagem, permaneceu imóvel. Por um instante acreditou ter chegado ao castelo errado. O Conde Álvaro de Brienne possuía uma fortaleza quase idêntica naquela mesma região. Olhou ao redor. — Anna... o que houve aqui? Por que tudo está diferente? Não foi isso que preparei. Isto está parecendo um... Antes que terminasse a frase, vozes começaram a surgir entre os convidados.

 

— Vede que magnificência! — A Condessa superou todas as expectativas! — Nunca testemunhei tamanha elegância. — Somente ela seria capaz de preparar algo assim! Anna aproximou-se sorrindo. — Senhora... eles estão aplaudindo Vossa Senhoria. A expressão de surpresa transformou-se em um elegante sorriso. A Condessa respondeu aos cumprimentos com discretas reverências, agradecendo cada demonstração de carinho.

 

Ao entrar no grande salão, porém, uma nova surpresa a aguardava. Todos os presentes conheciam parte do verdadeiro plano. Apenas ela permanecia alheia. Confusa, esqueceu por alguns instantes de controlar seus movimentos. As grandes asas reais por traz de sua indumentária abriram-se e ondularam com tamanha naturalidade que muitos convidados recuaram assustados, enquanto outros, fascinados, acreditavam tratar-se da mais extraordinária encenação da noite.

 

Então tudo mudou diante de seus olhos. O magnífico salão preparado para celebrar uma Guardiã desapareceu sob uma estranha ilusão. Onde havia tapeçarias novas, ela enxergava panos envelhecidos e rasgados. Os lustres pareciam cobertos por poeira. As flores transformavam-se em galhos secos. As toalhas bordadas tornavam-se tecidos gastos pelo tempo. Todo o esplendor que preparara parecia reduzido a um velho salão abandonado.

 

Anna aproximou-se imediatamente. Com delicadeza, conduziu a Condessa até o centro do grande salão e acomodou-a em uma cadeira ornamentada, como quem procurava consolá-la. Ao redor, escondidos além de sua visão, todos os convidados aguardavam em absoluto silêncio.

 

A Guardiã Erivas encontrava-se em posição cuidadosamente escolhida para que, no instante certo, pudesse revelar diante de todos aquilo que apenas ela, o Conde Morcego, Conde Lucas e o Marquês A Sales conheciam.

 

Na residência do Marquês, antes da partida, A Sales lançou um último olhar para o Atlântico que brilhava sob o luar. Um sorriso no rosto indicava que seus olhos contemplava a grande embarcação que seguia rumo ao castelo de Erivas.

 

— Podemos ir, senhor, anunciou Dom Lourenço de Vilar. — Sim, meu amigo. Siga até a carruagem. Logo o acompanharei.

Antes, porém, entrou em uma pequena sala iluminada apenas pela chama de uma única vela, onde trocou algumas palavras reservadas com Corvo do Silêncio.

 

Minutos depois, a carruagem do Marquês aproximava-se lentamente dos portões do Castelo de Erivas.

 

Continua...

 

 

 

 

 

A Sales
Enviado por A Sales em 27/07/2026
Alterado em 28/07/2026
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