
Nos montes onde os deuses observam os homens,
havia uma deusa de olhar ardente e eterno.
Chamavam-na de deusa da paixão,
que unia o coração dos mortais à esperança.
Os homens a veneravam em silêncio e gratidão,
pois onde ela passava nasciam coragem e ternura.
Mas entre os deuses havia um que odiava essa harmonia.
Um deus de sombra, orgulhoso e cruel,
que desejava ver os homens temendo os céus
e não amando aqueles que os governavam.
Ele jurou quebrar o elo sagrado.
A deusa sabia que a guerra viria,
mas leis antigas a impediam de usar seu poder.
Se lutasse, os mortais pagariam o preço.
Então ela desceu à terra.
Entre milhares de homens
escolheu um simples guerreiro,
um coração justo em corpo mortal.
Ela tocou sua fronte
e nele colocou a força de um semideus.
Não lutará por mim. Disse ela,
lutará pela harmonia entre céus e terra.
Quando o deus sombrio trouxe o caos,
foi o mortal quem ergueu a espada.
E naquele dia os homens entenderam,
os deuses podem criar o destino,
mas são os mortais
que têm coragem de defendê-lo.

Quem nunca teve uma deusa grega?