
A escuridão também tem sua beleza,
Sussurra versos feitos de silêncio,
E oculta em si um lume tão imenso,
Que o medo apaga antes da clareza.
No breu, descubro a alma, a singeleza,
De ser metade noite e parte incenso,
Pois mesmo o caos, tão denso e tão suspenso,
Carrega em si sementes de leveza.
Nem toda luz revela o que é divino,
Nem toda sombra é fim do meu destino,
Há claridade em tudo o que se encerra.
Assim caminho, ouvindo o que me guia,
A voz oculta, oculta em harmonia,
Que canta escura, mas jamais me erra.
