A escrita é voz que volta do infinito,
Um som remoto que o papel traduz,
É chama que arde mesmo no conflito,
E fala em mim quando o silêncio conduz.
Cada palavra é vida que retorna,
Do que vivi, sonhei ou me esqueci,
E em cada verso a eternidade adorna
O instante breve em que me percebi.
O som da escrita é o som da memória,
Guardando em mim pedaços de uma história
Que o tempo tenta em vão desfazer.
E quando o último verso se despede,
Fica a palavra, eterna, como a sede
De continuar tentando me escrever.
