
Me disseram para ser o melhor,
Ir mais alto, ir mais longe,
Não olhar para os lados,
Habituar-me a competir sempre,
Acreditar que vencer é dominar.
Corri atrás de aplausos,
Acumulando metas e conquistas,
Pensando que isso era plenitude,
Até perceber o peso da solidão,
Criada por mim mesmo.
Isolei afetos em nome do destaque,
Dei pouco valor ao que era humano,
Achei que sucesso dispensava cuidado,
Desaprendi a caminhar com alguém,
E confundi triunfo com superioridade.
Depois compreendi,
Essa glória figurada é frágil.
Vencer não é passar por cima,
E nem apagar quem está ao lado,
Nobre é quem cresce junto,
Com humildade e consciência,
Entendendo que ninguém se completa sozinho.
Renego, sem perceber, os laços que me tornariam verdadeiramente humano.

Minha recomendação para leitura é:
Nelson de Medeiros com o Rondel QUEM ÉS?
Um de meus textos Soneto à Mulher Chinesa