
(Esse poema eu escrevi no décimo dia em que meu pai foi internando)
Dez dias se arrastam,
cada minuto é um fardo,
um peso invisível
que o tempo se recusa a carregar.
Ele estava bem,
apenas ontem,
seguindo seus rituais de vida,
mas a noite trouxe o frio,
e o silêncio de suas palavras
foi cortante,
um grito preso no corpo.
Cinco vezes,
a vida lhe tomou a fala,
e agora nos resta a incerteza,
a corrida para o hospital,
onde a esperança é um túnel
sem promessas de luz.
Mas eu me agarro,
me agarro ao que não vejo,
ao que não sei,
e peço a Deus
que nos mostre um caminho.
E quando a luz finalmente rompe,
quando o boletim traz
um som de vida,
meus olhos se voltam
para a pequena chama de esperança
que não ousava apagar.
Há progresso,
há reação,
e o peso sobre meus ombros
se torna menos opressor.
Agora, aqui nesta sala,
onde o tempo flutua
entre o medo e a fé,
um novo capítulo se escreve,
e a aurora,
em sua maestria de cores,
começa a pintar o céu
de uma nova manhã.
Que as máquinas silenciem,
que o frio dê lugar ao vento livre,
e que ele possa voltar
à sua cadeira na varanda,
onde a vida o espera.

Todos somos poetas quando escrevemos com dedicação, alma aberta e a simplicidade de quem transforma sentimento em verdade.
Minha recomendação literária para hoje é:
A poesia reflexão NUNCA DESISTA de Vanessita