Há mundos que só vivem no que escrevo,
E eu mesmo, quando escrevo, me descubro,
Sou sol que nasce em letras, sempre novo,
Sou voz que vem do tempo e do futuro.
Em mim, a escrita é rio que não cessa,
Corrente oculta em mar de solidão,
É chama que persiste e que confessa
O mistério do verbo e da razão.
Cada palavra é fruto do que calo,
E o que me falta é o que mais embalo,
No vão das linhas onde me procuro.
E ao terminar, percebo em cada frase,
Que o que escrevi foi só uma fase
Do eterno encontro que ainda procuro.
