A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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O Natal dos Candidatos

 

Era véspera de Natal no Brasil, e o Papai Noel, coitado, já pensava em pedir asilo na Finlândia.

As renas? Atrasadas, ficaram presas num engarrafamento na Dutra, discutindo política no grupo da família.

Na chaminé de um apartamento em São Bernardo, Lula pendurava a meia e dizia:

— Companheiro Noel, se trouxer presente, não esquece que já fui preso por muito menos!

Janja, ao lado, sorria:

— O importante é que agora o Natal é verde e amarelo, mas com toque de vermelho chique!

Enquanto isso, no condomínio da Barra, Bolsonaro arrumava o presépio:

— O Menino Jesus é patriota! Se ele tivesse nascido hoje, ia de farda e moto!

Michele, acendendo o pisca-pisca, completou:

— E sem mulheres na manjedoura, que é coisa de esquerda!

No canto, os filhos discutiam quem ia ficar com o ouro, quem com a mirra, e quem ia postar tudo no X.

O Papai Noel, já suando, pensou:

“Se eu tivesse que dar presente pra cada promessa política, já tava devendo até pro Coelhinho da Páscoa.”

Na televisão, o especial “Natal da Democracia” mostrava os dois trocando presentes simbólicos:

Lula deu a Bolsonaro um livro de economia (“pra ver se aprende”), e Bolsonaro devolveu com um frasco de cloroquina (“pra curar o Brasil”).

O povo assistia com farofa na mão e esperança no copo, porque rir é o último verbo antes de desistir.

No céu, uma estrela cadente piscou e alguém gritou:

— Olha lá! É o Pix do 13 ou o avião das joias?

E o bar inteiro respondeu em coro:

— Tanto faz, o peru tá caro do mesmo jeito!

No fim da noite, o narrador da TV resumiu:

“O Natal brasileiro continua o mesmo: o presépio é grande, mas o menino pobre ainda dorme no chão.”

E o Papai Noel, antes de ir embora, deixou um bilhete:

“Se em janeiro vocês prometerem parar de brigar, em dezembro eu volto.”

 

 

Epígrafe

“O Brasil é o país da piada pronta. A gente não precisa inventar nada, é só anotar.”

José Simão

 

Crônica inspirada no estilo do colunista José Simão, especialmente nas séries:

 

O País da Piada Pronta (Folha de S.Paulo, coluna de humor político, 2003–presente)

Rivotril Nacional (Folha de S.Paulo, 2020)

Carnaval Político (Folha de S.Paulo, 2019)

 

 

 

A Sales
Enviado por A Sales em 11/12/2025
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Comentários

  Um livro poético escrito em sonetos que te leva desde a amizade, passando pela paixão até o amor. Uma viagem nestes sentimentos com uma escrita leve, senssivel e compreenssivel.

Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

Há palavras que nunca foram ditas,
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Este livro é um mergulho no espaço entre as vozes,
nas pausas, nos gestos interrompidos,
e nas emoções que o silêncio guarda.