Escrever é tocar o céu no escuro,
É ouvir de Deus o sopro e a lembrança,
É ver no verbo o abraço mais seguro,
Entre o que sou e o restinho de esperança.
O lápis ora, o coração confessa,
E a folha é altar de um breve instante,
Onde o silêncio enfim se ajoelha e reza,
E o eu perdido volta, confiante.
No verbo mora a ponte da esperança,
Que me conduz de volta à minha infância,
E ao Deus que fala em cada pensamento.
Escrever é achar o que é fixo em mim,
É perceber que o fim não é o fim,
Mas só o início de um novo alento.
