Enquanto escrevo, o tempo se revela,
Sou vento, sou memória, sou abrigo,
A tinta é o sangue que o papel tutela,
E o verso é um pedaço do que digo.
No traço, a vida em mim se reorganiza,
O bagunça se curva à ordem do sentido,
E cada dor, que a solidão eterniza,
Vira canção de um nome renascido.
Escrever é resistir ao apagado,
É respirar por dentro do passado,
É refazer o instante que persisto.
E quando o mundo cansar do que sou,
Eu me reinvento em tudo o que restou,
Enquanto escrevo, simplesmente existo.
