Minhas rimas são flores no deserto,
Brotam do pó que o tempo abandonou,
E mesmo quando o sol me castigou,
Mantive o sonho em meu jardim aberto.
A dor me foi canteiro, o verso, incerto,
Mas nele a alma inteira floresceu,
E o que era espinho, a poesia teceu
Em cor, perfume e gesto sempre perto.
Se a vida é árida, o verbo é nascente,
Regando a fé que mora no presente,
E faz do nada um campo que resiste.
Porque no verbo, o ser se multiplica,
E até da pedra a flor se justifica,
Quando o poeta insiste em ser triste.
