Escrevo o que em mim fica calado,
O que a garganta esconde e o peito sente,
Pois há verdades que, se vão à frente,
Ferem o ar e voltam ao passado.
No papel, falo o medo acumulado,
Desato o nó da dor que é persistente,
E o verbo, manso, age suavemente,
Curando o grito em verso disfarçado.
Há sons que o coração não ousa ter,
E apenas Deus se pode compreender
Quando me escuta em minha confissão.
Por isso escrevo, uma prece disfarçada,
Palavra muda, lágrima guardada,
Que encontra abrigo em forma de canção.
