Escrevo quando o mundo se desfaz em vento,
E a alma busca abrigo em suas ruínas,
No verso encontro o som do pensamento,
E a dor se veste em formas mais divinas.
Escrevo para ouvir o que o silêncio cala,
Pra ser inteiro em meio ao que me falta,
Cada palavra é um fio que me embala,
E o coração, no papel, se exalta.
Escrevo pra lembrar quem fui, sou, e sigo,
Pra não perder de vista o meu abrigo,
Nem me afogar no mar do esquecimento.
Pois quando escrevo, o tempo se desfaz,
E em cada linha o meu ser se refaz,
No gesto simples de um renascimento.
