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"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Textos

Porque somente a entrevista?

Porque ao clicar neste título Corvo do Silêncio ENTREVISTA  A Morcega, você vai participar junto como se tivesse na entrevista.

A baixo esta somente as perguntas e as resposta. No link acima há uma história envolvente. Aqui é para você que ler muito pouco textos longos, e lá na outra página é pra quem queira se sentir num programa ao vivo.

 

 

ENTREVISTA

 

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CORVO DO SILÊNCIO

Você vive dizendo que prefere a penumbra, os dias nublados, o   silêncio das cavernas... Me conta, se você tivesse que montar   uma playlist pra esses dias cinzentos, o que tocaria nela?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

  “Noite Preta” estaria nessa playlist. “Ainda é Cedo”, do Renato Russo   com Marina Lima... “Rádio Blá”, do Lobão, “Virgem”, da Marina, “Garota   de Berlim”, do Supla, “Church of Carmel” da Luciferian Light Orquestra e   “Sou quase um alcoólatra”, do Wander Wildner. Essas músicas, quando ouvidas bem alto, me levam pra Netuno facinho!

 

CORVO DO SILÊNCIO

Você também comenta sobre viajar para Netuno quando   precisa  escapar. Eu fiquei curioso: o que tem lá? Que paisagem   é  essa que você encontra quando foge na mente?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

   Viajar pra Netuno é o que eu mais faço! Rsrs. É quando eu começo a   imaginar meus mundos paralelos. Onde eu sou odalisca no templo,   pode  ser também como princesa, rainha do Nilo, diretora de filmes   pornô (não esqueça das aventuras de Vlanger kkk).

   Eu imagino muita coisa rsrs. Mas meu amigo e meu marido me têm como a diretora do Borboleta estúdio, que é o lugar onde eu sou diretora e vivo contratando atores para os meus filmes. É assim, eu vejo alguém, imagino a cena e falo pro Morcego: Vou contratar! Várias vezes eu trocava fotos com o Morcego, conversas de cenas que eu imaginava nesses filmes.

   E o melhor, são pessoas aleatórias e talvez as mais improváveis, exemplo o Vlanger é um cara com idade avançada. Amo imaginar um cara maduro, com uma pessoa mais jovem ou alguém totalmente fora dos padrões com um par assim que destoaria bastante pra formar par rs.

 

CORVO DO SILÊNCIO

Qual foi   o momento mais mágico que você viveu ensinando   seus filhos   em  casa, durante a pandemia?

 

RESPOSTA DA MORCEGA 

O momento mais mágico que eu tive ensinando meus filhos na   pandemia, foi o momento que Estevão começou a ler. Ele, totalmente   cheio de preguiça, não tinha começado essa fase de ler na escola, mal   juntava sílabas e também não queria realizar as tarefas. Eu lá, ensinando ele, treinando com ele a junção de sílabas.

   Ver ele lendo, parecia uma mágica. Me deu muito orgulho! Parecia impossível ensinar ele. Ele estava muito desinteressado. Hoje ele tem 10 anos, lê e escreve muito bem e tem um vocabulário que muitas vezes me surpreende e isso fui eu que ensinei a ele. Me dá gosto demais isso!

 

CORVO DO SILÊNCIO

Você tem um mundo imaginário tão vívido, nunca pensou em   transformar essas viagens mentais em histórias ou livros   infantis?

 

RESPOSTA DA MORCEGA 

 Já pensei! Eu tenho muitas ideias, Vampirão! Muitas! Eu tenho ideias   muito originais. Eu gosto das viagens que minha mente faz. Mas muito   provavelmente sou TDAH, e com a rotina exaustiva que tenho, me   perco  todinha.

  Eu já vou fazer um canal no YouTube pra poder mostrar um pouco das minhas viagens pra vocês... Então é muita coisa! Mas eu quero escrever pra crianças, livros de magia natural. Livros de bruxinhas, fadinhas, os 4 elementos, ensinamentos de auto cuidado místico. Eu amaria!

 

CORVO DO SILÊNCIO

Uma coisa que adorei foi a expressão “colmeia interior” O que   tem dentro desta colmeia da Morcega? É barulhenta, doce, cheia   de ideias, ou tudo isso junto?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

   Suas perguntas são mega interessantes! A colmeia interior é doce. É   só  a   parte  gostosa da vida. Que tem as partes que me interessam. A     família  que criei, as poesias e textos do RL que eu como como doce na   ponta dos dedos, porque amo a catarse que esses me geram e seus escritos estão nessa linha, muita imaginação, boas comidas, um bom sexo e pra fechar com chave de ouro, o isolamento. Amo me isolar. Detesto quando sou obrigada a socializar, principalmente em dias de sol.

 

CORVO DO SILÊNCIO

Mesmo sem sala de aula oficial, dá pra sentir pelos seus relatos que ensinar tá em você. O que mais te inspira no universo da pedagogia?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

O que mais me inspira no universo da Pedagogia, está relacionado com o ensinar a base. Esses anos iniciais são cruciais na construção do ser humano. Ensinar a uma criança a ler, escrever, conhecer as cores, conceitos de educação, regras sociais, as cores é encantador. Ver que através do seu ensinamento, aquela criança passou a fazer seus pequenos traços, cobre uma letrinha, junta as sílabas e pronuncia: BO-LA... Eu fico apaixonada! É lindo demais!

Comentário do Corvo:

Você fala com brilho nos olhos, e isso transforma a sala imaginária num templo de descobertas. O público percebe o encanto, é quase como se escutasse aquela criança pronunciar pela primeira vez a palavra Bola.

 

CORVO DO SILÊNCIO

Você e o Morcego parecem uma dupla afinada, e eu achei bonito esse cuidado mútuo. Como é essa parceria quando lidam com o público e os comentários?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

Quando surgem os emocionados meu marido fica puto da vida. Até porque, eles são sem noção mesmo e parecem que tem alguma dificuldade cognitiva, porque não é possível. Você sabe que tudo que eu recebo, Morcego lê e eu aviso. Quando eu vejo um cara muito emocionado que está querendo conversa, eu aviso: Pode ser por comentário, mas mesmo assim meu marido lê tudo. E todos sabem que ele odeia que fiquem de elogios a aparência que eles imaginam que eu tenho. O que o cara faz mesmo sabendo que o Morcego lê? Diz que não para de pensar em mim, diz que eu sou linda, diz que ficou com saudades... Infelizmente tenho que bloquear. Eu não aviso uma ou duas vezes, aviso muito mais, mas... Infelizmente tenho que bloquear.

 

CORVO DO SILÊNCIO

Agora, brincando um pouco, se o Morcego e a Morcega virassem personagens de uma história, que tipo de aventura viveriam juntos?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

Aventuras sexuais de 2 morcegos.

Ela observa a reação da plateia em risos e complementa...

Exploraríamos vários cenários, como o cemitério por exemplo e alimentando o meu voyeurismo, vendo o Morcego morder os pescocinhos e um pouco mais... Pode imaginar!

 

CORVO DO SILÊNCIO

Quando o mundo lá fora tá barulhento demais, qual é o teu ritual pra voltar pro teu universo tranquilo, nublado e cheio de névoa boa?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

Antes era comendo. Me enchia de comida boa e ficava viajando na maionese, mas isso me gerou quilos a mais kkk, levei um susto e agora treino diariamente pra reverter isso. Hoje eu faço isso usando minha imaginação. Me visto de personagens na minha cabeça, escrevo poesias em primeira pessoa, me colocando em papéis (como o eu lírico) que combinam com a minha energia. É só me deixar na cozinha! Enquanto eu faço comida, fico imaginando na cozinha, eu interpretando vários papéis.

 

CORVO DO SILÊNCIO

Como você consegue ser mãe de especiais, ser esposa e ainda ter tempo para o R.L.?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

Consigo? Rsrs. Eu levo rsrs. Pode notar que não ando ficando muito aqui no RL. É tudo um caos, mas vivo um dia de cada vez, cheia de pendências, tudo bagunçado, mas estou tentando me encontrar, ajeitando o que eu posso rs. Atualmente a única coisa que anda fluindo certinho são meus treinos.

 

CORVO DO SILÊNCIO

Como nasceu a paixão pelo tarô — veio da família ou foi escolha sua?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

Eu gosto de tarô desde criança. Assim como sempre fui ligada em magia natural. Quando você tem um mapa com Escorpião, Peixes, Sagitário ou até Câncer, em posição forte no mapa, sua mente vai te chamar pra essas coisas. Tenho Lua em Escorpião, Mercúrio no signo de Câncer e Júpiter na casa 9. Eu achava que jogar tarô e outros oráculos, era algo que a pessoa nascia sabendo, mas não, nem sempre. Comecei com o tarô mesmo, aos 26 anos.

 

CORVO DO SILÊNCIO

Você também cita no perfil Morcega Moon que já deu "dicas" com muitos acertos. Pode falar sobre elas e pra quem?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

Dicas pra clientes. Elas querem saber se os projetos darão certo, se vão passar em determinada prova ou entrevista de emprego, se fulano irá vingar determinada coisa. Eu acerto, mas não sou vidente, interpreto. As pessoas têm que saber que tarô não é vidência, mas pode ajudar muito pra fazermos escolhas mais ditosas.

 

CORVO DO SILÊNCIO

Morcega Moon, pra quem ainda não visitou o perfil — qual o propósito da página?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

Um propósito que ainda não se iniciou rs. A página Morcega Moon será como um diário, e uma parte pra colocar textos aleatórios, os gritos da minha alma que não necessitam ser comentados. Ali vai ser uma escrivaninha livre, onde eu poderei me aprofundar em quem eu realmente sou e terá os eus líricos que eu quero dar voz.

 

CORVO DO SILÊNCIO

No seu terceiro post no Morcega Moon você cita dois poetas, e um deles é Felipe Félix, autor de Entre a Vida e a Morte. Qual sua visão desse conto?

 

RESPOSTA DA MORCEGA

Não li tudo rs. Morrendo de saudade, vocês não fazem ideia. Eu me perco todinha no dia a dia. Minha cabeça parece um emaranhado de gato. Estou pra ler o 33. Eu sou apaixonada por esse conto! O personagem principal, conhecido como Corisco, seu nome é Plínio, ele é um jovem rapaz que tem que assumir o comando na vida da fazenda, depois que seu pai desencarna. A vida dele vira de cabeça pra baixo e ele tem que começar a correr com a ideia de casamento, tem que amadurecer e vai amadurecendo pra tomar o comando das coisas. Eu amo! Traz uma vibe que nos leva lá para aquele cenário. Sou louca pra montar no cavalo dele, o Relâmpago, mas na imaginação eu faço isso rs.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Ainda sobre a indicação você também cita o Corvo do Silêncio e dois de seus escritos, um deles é: O Coração Queimado de Lázaro. Qual capítulo você está lendo? Fale um pouco deste conto para quem ainda não leu. Sua visão de leitora?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Eu li até o 28. Conto maravilhoso também que a rotina e a minha cabeça confusa no caos me afastou um pouco dessa maravilha. Um conto onde o personagem principal é o Lázaro. Ele faz parte de uma egrégora de magia que preza pelo bem. No desencarne de sua esposa Aurora, havia uma promessa de reencarne dela e ela retorna aquele local, agora com outro nome e foi a trabalho sem saber o que a esperava. Lá ela descobre a sua missão, o porque de ver uma sequência de sincronicidades e compreende que é uma das escolhidas. Ela, reencarnada, se une novamente a egrégora de Lázaro e eles tem a missão de derrotar o mal da egrégora oposta onde Capricórnio é o vilão ambicioso que quer tudo pra alimentar seu ego. Emocionante demais o conto. É fiel as características de luz e sombra dos arcanos. Quando eu leio eu me sinto exatamente no lugar. Um lugar ermo, com suas janelas embaçadas pelo frio. Eu amo essa sensação de ser transportada por local. Você e o Felipe Félix me mimam com os contos de vocês.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Cidade das Uvas, foi este conto que de sua protagonista Carla, pude conhecer uma leitora diferenciada no sentido de comentar o que realmente leu. Fique à vontade para falar sua experiência ao ler Cidade das Uvas. Fale um pouco deste conto para quem ainda não leu. Sua visão de leitora? E qual sua identificação com a personagem?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Em Cidade das Uvas temos Carla, que também bem jovem, fica sem os pais, depois perde a vó e tem que assumir a demanda da vida no campo administrando a logística dos trabalhadores, lidando com todos os dramas de estar sozinha e descobrindo segredos. Ela é uma mulher bela, firme e decidida e que se apaixona por um jovem de uma família rival a família dela. Maior BO! Eu achei tão sexy as pistas que ele deixava para ela. Mostrando que ele estava sempre a observando. Acho isso um sex appeal, mexe muito comigo. Minha identificação com ela é só a força interior, mas ela é muito mais yang, ela bota peito no que ela quer. E eu sou só uma guerreira cansada e resiliente rs.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Erivas a Guardiã. Percebo lendo seus comentários nos textos dela, e comentários dela nos seus textos, uma amizade. Esta amizade é apenas literária ou é presente também.? Digo, vocês se conhecem pessoalmente?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: É uma amizade literária que é apenas aqui no Recanto das letras. Eu nunca a vi pessoalmente e moramos muito longe. Tudo surgiu porque eu me apaixonei pela escrita escorpiana dela. Ela me gera uma catarse que eu me reviro do avesso. Depois conheci teus escritos e você também escreve de maneira escorpiana. Esse tom noturno, soturno, melancólico, intenso e às vezes até obsessivo vai mexer com as sombras da minha lua em Escorpião. Sou apaixonada!

 

Pergunta Rápida.

 

Citei cinco poetas ou poetisa que leem seus textos.

RESPOSTA DA MORCEGA: Erivas, a guardiã, Corvo do Silêncio, Felipe Félix, RickSteindorfer e Suzete Palitos. Minha colméia é pequena. Só tem os que ressoam com a minha energia. 

 

O que gostaria em rápidas palavras de dizer pra eles.

RESPOSTA DA MORCEGA: Gostaria de dizer uma coisa do fundo do coração: Que a nossa troca nesse Recanto siga fluindo até o fim de nossas vidas. Eu valorizo demais isso e vocês não fazem ideia do quanto esse vínculo me abastece.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Caverna. Da onde surgiu esse slogan, que você certamente se refere a sua casa.

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Estou amando suas perguntas rs. Caverna porque  os morcegos gostam de ficar lá. Quem vê Morcego de dia? Eu sou uma mulher que vivo isolada do mundo. Detesto essa claridade toda na minha cara. Minha casa é minha caverna porque lá eu me fecho, me escondo da claridade e me isolo do mundo.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você tem formação em pedagogia. Pensa em exercer essa profissão num futuro próximo?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Exercer minha formação fora de casa, não tenho intenção. Estou fazendo um curso também pela UERJ que é para aprender a lidar com a demanda dos autistas no dia a dia. Eu acredito que eu tenha uma missão, que eu pretendo exercer que é de aprender ainda mais, pra ajudar mães de autistas, mais especificamente as mães de autistas severos. Acho brochante você ver os vídeos e livros ensinando a cuidar de autistas comuns do dia a dia. E os severos? Então aí que eu vou entrar. Quando eu estudar pra essa parte, eu irei compartilhar o que sei, mas de maneira virtual, através de vídeos e até curso.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você é mais de dois especiais. Qual o nome deles?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Eu sou mãe de 4 especiais. Mas dois deles são autistas severos e os outros dois seguem uma rotina comum de uma criança neurotípica. Meus autistas severos se chamam Heitor e Ícaro.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Qual a visão que seus filhos têm de você como mãe, protetora, como alguém que sempre está para eles.

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Eles me tem como o colo do refúgio. Aquela que nutre, que bota comidinha a mais no pote, que defende. Eu não sou boa disciplinadora, essa função quem faz melhor é o Morcego e eles reclamam que eu passo a mão na cabeça dos mais novos. Só que eu sou a que passa a mão na cabeça de todos. Reconheço que eu preciso melhorar nesse ponto. Eu não me acho tão permissiva, mas eu passo pano pra muita coisa que eu não deveria. Mas estou melhorando rs.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Uma frase que define o amor e gratidão dos seus filhos para você. Qual seria?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Vou deixar uma frase do meu filho de 9 anos:

Mamãe, como eu não vou te amar, se você foi a minha primeira fonte de abundância?

Eu sou a proteção deles. Eu sou uma mãe perdidinha, viajante da maionese, que se não anotar esquece tudo, não estou me achando boa mãe, mas amor, eu sou demais e eu nutro, eu protejo. Eles tem em mim um abrigo.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Complete a frase: mamãe é uma atriz (...) qual é mesmo o nome que seu filho fala?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Kkkkk Mamãe, você é uma atriz pobre! Pare de ficar testando seus papéis comigo.

Eu invento. Adoro encenar, meu Deus kkk. Ele se chama Estevão. E tem 10 anos.

 

Pergunta Rápida

Não recebo e-mails. Para quem não sabe, explique os motivos dessa decisão entre você e o poeta Morcego.

RESPOSTA DA MORCEGA: Já tivemos muitos problemas com e-mails. Basicamente a decisão veio porque eu acho que os caras que fazem isso eles estão ficando assim, com algum tipo de demência. Não é possível você saber que meu marido lê tudo e você vai começar a me cantar e se declarar pra mim. Eu tenho uma fala muito acolhedora né? Meu normal é esse. Eu acho que as pessoas confundem. Eu não estou aqui me achando, mas devido a série de cantadas e declarações de gente que sabe que meu marido vai ler, esse foi o motivo principal de encerrar essa ideia de contato. E mesmo se eu pudesse, sinceramente, eu não consigo dar atenção nem pra quem eu conheço. Meu bebê espera horas pelo meu colo. Imagina se eu tivesse amizades por e-mail? Uma pessoa (mulher) já tentou isso e se frustrou rapidamente. Não é má vontade. Eu não tenho tempo.

 

Projetos

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você pensa em publicar algum livro aqui no recanto ou numa casa publicadora?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Penso em publicar. Mais como uma ideia de hobby. E só vai querer ler minhas peripécias quem me amar muito rs. Eu vou liberar os pdfs que eu fizer.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você já teve participação em algum livro ou projeto literário aqui R.L ou casa de publicação?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Eu já fui chamada por aqui pra fazer participação pela editora Palavra é arte e eu topei. Tem lá minha parte rs. Foi um BO pra pegar esse livro pq lá nos Correios a caixa veio com meu nome artístico rs. E pra provar que eu era aquele nome? Fiquei um tempinho lá até ele se convencer que eu era a Leona Capri.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

A Morcega é uma figura cheia de mistério, mas quem é a mulher por trás desse nome?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Quem é essa mulher? Uma mulher mãe, que tem uma rotina que sobrecarrega até a alma, não pira porque já é meio doida. Viajante da maionese, mãe apaixonada pelos filhos e aquela que é sempre solicitada quando alguém quer desabafar e opta por alguém que acolhe sem criticar. Extremamente anti social, prefere os dias que fica em casa, pois detesta ter que interagir.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Como nasceu essa personagem que hoje vive nas palavras e nas sombras do Recanto?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Até hoje eu penso se a Morcega é uma personagem. A Morcega é o nome da meu lado escorpiano. Dizem que não tem como alguém ter tantas personalidades. Isso não se encaixa comigo. Meu marido me chama de fragmentada. Eu sou muitas! Morcega é alguém que sempre existiu, eu apenas dei o nome para esse meu eu noturno. E esse nome surgiu através de semelhanças. Morcego é um bicho noturno e eu sempre prefiro as noites, ele foge da claridade, assim como eu, sempre que eu posso e se tem nele uma egrégora criada bem fantasiosa sobre estar relacionado com uma pegada mais gótica e meu eu escorpiano é assim. Disso veio a Morcega. E o Moon é a lua. Eu sou completamente ligada na lua. Pela aparência dela, suas fases e tudo que o arquétipo lunar representa. O feminino, o gerar, a instabilidade, o mistério, a magia... E muito mais.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Quando você tira a máscara da Morcega, o que te faz sentir mais viva no dia a dia, o silêncio, a imaginação, ou a conexão com as pessoas que te leem, os filhos, a família e claro o marido?

 

RESPOSTA DA MORCEGA:

O que me faz me sentir mais viva no dia a dia? Ter a certeza que eu não vou precisar sair de casa, céu nublado e eu poder estar sentada perto dos que moram comigo, podendo viajar no Recanto. Nossa, aí dá muita onda. Principalmente se for um dia que eu não precisarei ir pra cozinha, porque assim poderia esticar um pouco as pernas. Eu só vivo de pé!

 

Sobre trabalho e vocação

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você é formada em Pedagogia e fala com muito carinho sobre o universo da alfabetização. O que mais te fascina nesse início de jornada das crianças com as palavras?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: O que mais me fascina nesse início de jornada com as palavras, nas fases iniciais, é exatamente a importância disso. Ensinar uma criança a ler, te faz eterno. É ter a missão de dar uma chave para um portal faustoso. Você ensina ela a descobrir o mundo. Uma das coisas mais lindas, do top 5 da minha mente.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Mesmo sem estar em sala de aula formalmente, você tem um projeto pessoal com educação. O que te move a continuar estudando e preparando esse sonho dentro de casa?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: O que me move primeiramente são meus filhos. Eu quero que eles desenvolvam as potencialidades deles no seu máximo de potência. E eu tenho um jeito muito particular de ensino. Assim como eu não tenho métrica, eu também não tenho uma didática específica, mas sei de uma coisa: O que eu ensino, a pessoa aprende. Eu dava aulas de matemática na escola de tarde, pra alunos que não entendiam nada com os professores. Dava aula desde muito criança. O que eu me proponho a ensinar, se torna fácil na mente de quem aprende e é exatamente por isso que eu quero continuar. O que é difícil para os outros e eu sei, eu consigo passar de maneira que a pessoa aprende. Quero ajudar, quero facilitar!

 

Sobre lazer, hobbies e música

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Quando você não está escrevendo, o que costuma te trazer leveza? Tem alguns hobbies que te ajudam a recarregar as energias?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Olha, eu não tenho tido hobbies. Mas os esporádicos momentos e sempre de pé e corridos, são ouvir música, ficar no Recanto, falar sobre magia natural e filosofar sobre o dia a dia. Amo!

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Se eu te pedisse uma trilha sonora para acompanhar a tua escrita, aquelas músicas que casam com tua alma “nublada” e poética, quais artistas ou canções estariam nessa lista?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Noite Preta de novo rs, Doce Vampiro, Renato Russo, a banda Therion e Luciferian Light Orquestra.

 

Sobre livros e inspirações

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Qual foi o livro que mais te marcou e, de certa forma, te ajudou a construir esse olhar tão sensível sobre o mundo?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: O Evangelho segundo o Espiritismo. Estudar sobre Jesus, o mestre ascencionado que eu amo muito, me trouxe esse olhar. Foram muitos anos estudando esse livro. A minha base moral foi totalmente influenciada pelos anos de evangelização (no modo kardecista).

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Há algum autor ou poetisa que você considera uma espécie de farol, alguém que te inspira a continuar escrevendo e sonhando?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Alguns. Atualmente o André Flores. Que é um rapazinho. Ele é autor de livros, YouTuber e inclusive fomos no show dele. Mesmo tão novo, ensina a gente a necessidade de persistir.

 

Sobre o sol e o cotidiano

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você costuma dizer que não gosta de dias de muita luz, que o sol te incomoda. Existe algo simbólico nessa relação com a claridade, ou é simplesmente o conforto da sombra que te encanta mais?

 

RESPOSTA DA MORCEGA:  Reparei que tem algo simbólico e também o efeito físico. Eu detesto claridade. Não é uma personagem. Eu detesto. Hoje está sol lá fora, eu vou ter que ir pra rua. Essa claridade já está me incomodando na janela. Eu gosto de dia nublado. Aqueles que tem cara de chuva. Qual o simbolismo que observei aí? Que eu gosto de dias que tem cara de isolamento. Quando o tempo está fechado, as ruas tendem a ficar mais vazias. Agora vai nessa claridade. Verei a praça cheia, tudo cheio. Eu gosto dos dias com menos luz porque eles me deixam reservada, exatamente como eu quero ficar.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

E quando o dia insiste em ser ensolarado, como você faz pra encontrar um cantinho de sombra e paz dentro desse excesso de luz?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Porra... É tenso. Hoje está assim, essa claridade horrível. Eu vou ter que sair. A minha mente se recusa, mas sai. Encontro a sombra onde? Não encontro rs. Só quando chega o fim da tarde, e aí eu fico mais de boa. Parece neurose, mas essa claridade toda é invasiva. Me tira do esconderijo. Me obriga a socializar. Eu sou anti social levemente flexível tá? Queria deixar claro.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Conte-me como foi a experiência que você narra tão bem na sua crônica: Morcega Foi Ver o Sol. Fale da amizade feita com a vozinha e a felicidade dos filhos.

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Foi lindo esse dia. Primeiramente porque eu estava bonita e isso não anda ocorrendo. Meu filho amou brincar com o neto dela. A amizade continua meio mal. Ela me ligou algumas vezes, só que como eu disse, não fico no meu celular. Atendi as ligações, ela algumas semanas atrás falou do neto, eu perguntei e ela sumiu. Sinceramente, eu acho que não vai fluir muito. Ela quer uma amizade pra ela ver mesmo e eu não gosto assim de sair. Poderia ir lá na praça? Poderia. Só que os horários dela não batem com os meus. Pra eu sair, é uma novela. Você pra sair você vai se arrumar, vai pegar tuas coisas. Aqui vai muito além. Fora você arrumar a criança e ela está com fralda suja e tudo sujo minutos antes de sair. Minha logística diária é pra super herói. Então ficou nisso rs. Em breve ela vai ligar de novo rs.

 

Sobre os filhos

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você fala com tanto carinho sobre os seus filhos, o que eles te ensinaram que nenhum livro ou curso jamais conseguiria ensinar?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: O valor de amar incondicionalmente, saber lidar com as diferenças, compreender que meus defeitos mais a fundo e aprender que cada um tem seu estilo, e não temos que querer invadir a escolha pessoal alheia.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Cuidar de filhos especiais exige uma força silenciosa. O que te sustenta nos dias em que o cansaço parece querer pousar sobre as asas?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Eu estava vendo agora um vídeo de uma mãe de autista chorando. Eu lido com dores de maneira estranha. Eu me iludo. Cheiro poesia, tomo porre de Netuno, tudo que eu invento na cabeça. Então eu finjo tanto que tá tudo ok que eu acredito rs. Eu tampo as dores, eu tampo as lágrimas. Não é algo saudável, mas eu vivo assim. O que me sustenta é amor e resiliência. Eu tenho grandes cicatrizes, mas o amor e a fé divina, mais os anestésicos da ilusão me mantém assim. Uma mulher que ri muito e que acolhe.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Existe algum momento marcante, uma pequena conquista deles, que você guarda no coração como um lembrete de amor e superação?

 

 RESPOSTA DA MORCEGA: Ver meu filho de 12 anos, praticamente autista não verbal, falar mamãe. Alfabetizar um garoto autista e TDAH e ver o gênio da tecnologia que que ele é e ele é meu filho de 10. Ver que meu filho de 9 é autista grau 1 e é considerado o melhor aluno da sala e enchem ele de elogios pra mim. Me sinto grata demais!

 

CORVO DO SILÊNCIO:

De que forma a poesia te ajuda a lidar com os desafios e as emoções que vêm junto com a maternidade especial?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: A poesia me ajuda a lidar com essas questões punks, me adoçando, me anestesiando. Quando eu leio uma poesia boa, eu saio de mim. Eu quero ler mais e mais. Eu me visto de cada eu lírico. Uma pena que atualmente eu não tenho podido ter essa onda como antes, mas voltarei.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você publicou algum poema, crônica como uma homenagem ou um conto sobre eles (seus filhos)?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Não! No passado sim. Eu tenho um, do bilhete de eu te amo que fala do Apolo. Eu não escrevo sobre eles pra não me marcar rs. Tipo, quanto mais saberem de mim, mais fácil me acharem. Eu não quero ser achada. Quero ficar reservada. E por isso não quero que saibam meu nome. Eu não escrevo ele no perfil.

 

Sobre o esposo e parceiro de letras

 

CORVO DO SILÊNCIO:

O Morcego, teu companheiro de vida e de escrita, também voa por essas páginas do Recanto. Como é compartilhar esse universo literário com ele?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Eu amo! Morcego é um filósofo! Conversar com ele pode ser muito desconfortável pra quem gosta de se agarrar em verniz social e em fanatismo. Morcego é um cronista, que de vez em quando faz poesia. Se ele botasse pra fora seu lado cronista ele ia atrair muitos amores e mais ainda haters. Ele tem uma visão muito reflexiva e diferente do comum. Fechado, direto e questiona tudo.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Quando um escreve e o outro lê, há troca de inspirações? Vocês se influenciam poeticamente ou cada um tem um céu diferente pra voar?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Cada um tem seu céu diferente pra voar rs. Ele não é fã do meu lado florzinha. Inclusive aquele texto sobre o pensamento lá, que fala do fermento que leveda toda a massa, ele não comentou rs. Ele é azedo, pessimista e tem sua visão muito particular da vida. A gente se parece no lado anti social, na intensidade, no lado de não nos metermos na vida dos outros e de ajudarmos os outros naturalmente, pois acreditamos que isso deveria ser obrigação. De resto... Não rs. Eu sou Vênus e ele é Marte rs. Somos complementares.

 

 

CORVO DO SILÊNCIO:

O Morcego, teu companheiro de vida e de escrita, também voa por essas páginas do Recanto. Como é compartilhar esse universo literário com ele?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Eu adoro! Ele é um cara muito inteligente e cirúrgico nas suas crônicas. Eu tenho gosto e orgulho de poder ter uma troca literária com um cara super inteligente.

 

Os Voos Literários da A Morcega

 

CORVO DO SILÊNCIO:

O nome “A Morcega” é curioso e cheio de simbolismo. Como nasceu esse pseudônimo? Foi uma escolha espontânea ou tem uma história por trás das asas?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: O pseudônimo que eu mesma escolhi, por identificação. Só vivo na caverna, ninguém me vê a luz do dia praticamente kkk, prefiro sempre as noites, então eu vi a semelhança com o bichinho. Eu vejo no caso como um arquétipo e que combina muito comigo.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

A gente percebe que suas palavras vêm de um lugar muito sensível, como se cada texto fosse uma janela do seu próprio mundo interior. Quando você escreve, sente que está se libertando, se protegendo, ou talvez um pouco dos dois?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Sinto que estou me libertando. Que estou encenando. Cada poesia ou prosa poética, eu estou colocando pra fora um personagem. Gosto tanto disso que você pode notar que eu só escrevo poesias em primeira pessoa.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você tem 127 textos publicados, isso é uma trajetória linda! Olhar para trás e ver tudo o que já escreveu desperta o quê em você: orgulho, nostalgia, ou aquela vontade de reescrever tudo de novo com o olhar de hoje?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Sinceramente, não sinto orgulho. A lista do que eu apaguei me gera é uma vergonha rs. Eu era muito apelativa. Ainda bem que eu apaguei o que não ressoa mais comigo. Eu não tenho orgulho do que escrevi, porque ainda não fiz nada sério. Estou no momento apenas brincando ou dando conselhos que acredito que possam ajudar. Eu nem sou poetisa, inclusive.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

De onde vem a inspiração para seus escritos? É do silêncio, dos dias nublados, das pessoas ao redor, ou dos mundos paralelos que você costuma visitar lá em Netuno?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: A inspiração vem de tudo que eu já vi e às vezes do que vivi. São personagens que brotam na cabeça. Uma lembrança, uma palavra, uma ideia e eu começo a destrinchá-la. Escrevendo em primeira pessoa porque eu gosto de sentir a catarse rs.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Quando você senta para escrever, existe algum ritual? Um horário preferido, uma xícara de café, uma música, uma luz específica, algo que te ajuda a entrar no clima da Morcega escritora?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Quem me dera rs. Tudo é escrito em pé, no meio de uma comida que eu estou fazendo ou escrevendo de pé e ouvindo: Ouuu, o fulano tá sujo! E eu tenho que deixar de escrever no celular pra ir pegar a criança. Meu objetivo é ser a pessoa que senta pra escrever. E nesse período, eu serei a pessoa que vai mostrar que pode trazer materiais substanciosos no sentido literário.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você costuma dizer que vive “na caverna, na ostra”, mas seus textos são pontes, eles alcançam pessoas, tocam corações. Você se surpreende com o impacto que suas palavras causam em quem te lê?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Não me surpreendo! Afinal quase ninguém lê. O Recanto não é um espaço onde normalmente as pessoas querem ler. Elas querem mostrar o que escrevem. Eu leio de verdade. Os comentários que vem de quem lê de verdade, não me surpreendem, me alegram. Eu amo essa troca!

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Falando em leitores, o que você diria hoje pra quem acompanha A Morcega desde o começo, e pra quem acabou de chegar agora no seu universo poético?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Gostaria de dizer para pararem de associar minha escrita com a minha moral. Nem tudo que eu escrevo sou eu! Gosto de me vestir de tudo que é tipo de personagem.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Dentro dos seus planos de vida, você mencionou um projeto educativo que sonha desenvolver na sua casa. Você acredita que a escrita e a pedagogia se cruzam nesse caminho, que uma alimenta a outra?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Com certeza! Porque a criação que vem através da escrita, traz muito do lúdico. Eu amo trazer o lúdico para o processo de alfabetizar e também pra ensinar no geral.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Todo autor tem um texto que considera um divisor de águas. Tem algum entre os seus 121 que representa quem você é, aquele que você lê e pensa “essa sou eu”? Meu chute. Rubi e o Jardineiro. Acertei?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Nãooo kkk. A Rubi é muito direta. Eu gosto de tudo que é bem velado. Que vai deixar dúvidas. Ela deixa a certeza para o jardineiro. Eu me identifico muito mais com a poesia "Consagrei meu perfume na lua cheia, pois era o seu cheiro preferido." E em todas as poesias que hipnotizam. Eu gosto de marcar na alma.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Se A Morcega pudesse deixar uma última frase soando no Recanto, algo que resumisse sua jornada, sua forma de ver o mundo e o que você sente pelos leitores, que frase seria essa?

 

RESPOSTA DA MORCEGA:

Gentileza gera gentileza! Sou grata por cada troca, que é um presente que dinheiro nenhum paga.

 

As Sombras e a Luz: A Voz da Mulher

 

CORVO DO SILÊNCIO:

A Morcega, você é uma mulher de sensibilidade profunda e fala muito sobre empatia e respeito nas suas interações. Como você enxerga hoje o cenário da violência contra a mulher no Brasil, principalmente a violência silenciosa, aquela que acontece dentro de casa ou nas redes sociais?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Tenho um grito engasgado dentro de mim com relação a isso. Dói na minha alma! E pensar que muitas estão passando por isso, porque a justiça demora tanto a fazer algo de efetivo, que elas optam por não fazerem a denúncia porque sabem que no meio tempo ali, até ocorrer algo efetivo, serão assassinadas. Eu falo direto com meu marido que ainda vou atuar ajudando mulheres assim. Tenho raiva! Covardes que agem assim. Vão pagar caro na justiça espiritual!

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Muita gente ainda acha que a violência é só física, mas sabemos que há feridas que não deixam marcas visíveis. Na sua visão, qual é a forma mais cruel dessa violência que ainda passa despercebida pela sociedade?

 

RESPOSTA DA MORCEGA:  A forma mais cruel e que passa despercebida na sociedade desse tipo de violência, são as mulheres, várias que nós vemos até de perto, que o maridão grita, não mete a mão nelas, mas ofendem, diminuem suas mulheres, ameaçam que se terminar, irão matar, fazem elas acharem que tudo é culpa delas... Olha, me dando até nervoso de falar disso. Eu tenho uma dor de pensar nisso. Ah, que triste! Umas das mazelas da nossa sociedade. Quantas nesse momento estão se sentindo vulneráveis e tolhidas?

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você acredita que a educação, algo tão presente na sua vida e nos seus projetos, pode ser uma chave real para combater esse ciclo de agressão e machismo?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Com certeza! Primeiramente porque investindo na educação, muitas buscarão sua autonomia. Outra coisa é que acredito eu que quanto mais conhecimento, mais empoderamento e uma pessoa que se valoriza e sabe do que merece, sabe o que cabe ou não dentro de uma relação, não se sujeitaria muitas vezes a esse tipo de vínculo. Mulheres que sabem do seu potencial, que tem conhecimento, em grande número evitariam um cara machista.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Como a escola, a família e os educadores, o poder público pode agir de forma mais eficaz?

 

RESPOSTA DA MORCEGA:  A família tem que acolher mais. Canso de ver gente da família que aconselha que a pessoa se sacrifique pelo seu casamento e num caso como esse, a pessoa fica passando mais ainda por agressões físicas e/ou verbais, o governo deveria investir mais na divulgação sobre esse tema nas escolas, universidades, outdoors, propagandas... Temos que ter os cursos sobre isso de maneira mais divulgada e aumentar o número de abrigos e parar com as limitações. As mulheres que são agredidas e solicitam um abrigo, além da espera, podem levar filhos até determinada idade só. Tipo, pelo que lembro, até 11 ou 12 anos, depois não podem ficar com ela. Muitas desistiram só por isso, não vão querer ficar longe de seus filhos. Temos que melhorar isso aí! Dar um suporte melhor e compreender que é emergência. Precisam agir com senso de urgência no acolhimento.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Sabendo que você é casada e tem um relacionamento de parceria e respeito, o que diria às mulheres que ainda vivem relações abusivas e têm medo de dar o primeiro passo para sair delas?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Amores, os seus companheiros não vão mudar! Muitas de vocês estão mantendo esse vínculo, nessa falsa esperança e outras tem medo deles serem punidos. Eles não poupam vocês! Vocês não merecem definhar ou até serem assassinadas por homens assim. Busquem fuga, na fuga denunciem, mas fiquem refugiadas enquanto solicitam uma vaga no abrigo. Infelizmente nosso governo não dá o apoio com senso de urgência, por isso vocês terão que fugir. Pensem em vocês, nos filhos de vocês! Esse homem não ama você! A dor do término é superável. A sua vida não!

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Se você pudesse mandar uma mensagem pra todas as mulheres que estão em silêncio, sofrendo sozinhas, qual seria a sua palavra de acolhimento, como mulher, mãe, esposa e poeta?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Se amem antes de tudo! Conheçam seu valor e seus direitos! Vocês irão superar essa separação. O que não resgata, é a vida perdida.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

A Morcega, você também é formada em Tarô, um universo cheio de símbolos, mistérios e intuição. Me conta: o que te levou a mergulhar nesse mundo das cartas e o que ele te ensinou sobre as pessoas, e sobre você mesma?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Sempre me atraí por oráculos, principalmente de cartas. Quando descobri que não precisava nascer sabendo, e que qualquer pessoa poderia aprender, fui comprar meu baralho e aprender. Aprendi e aprendo com o tarô sobre mim e as pessoas, que temos muitas máscaras. Acreditamos em versões nossas que muitas vezes não existem e nos iludimos muito. Colocamos filtros nas situações que fazem com que vejamos rosa como verde e o tarô tira essas máscaras. Tarô é pra quem quer a verdade e não ego alimentado.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Você mencionou estar se afastando um pouco dos baralhos por exaustão, o que é totalmente compreensível. Mas quando pega um Tarô na mão, o que sente? Ele ainda te chama de vez em quando, ou você consegue mesmo manter distância desse velho oráculo curioso?

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Com meu baralho na mão, sinto as cartas me contarem histórias. Eu não consigo me afastar completamente do baralho. Eu ainda jogo, esporadicamente e com sono. Hoje mesmo tive que ver que uma pessoa que sumiu, perdeu a vida. Eu não quero mais ficar dando esse tipo de notícia e fora que estou exausta mesmo e acordando antes das 5 pela insônia. Eu vou parar mesmo de jogar pra pessoas de fora. Será só pra mim. As pessoas acham que tarô é vidência e eu cansei de ser vidente. Estou fisicamente cansada e não quero mais ficar prevendo coisas ruins.

 

CORVO DO SILÊNCIO:

Se a gente pedisse uma tiragem simbólica para o PodReader, pra esse nosso encontro de hoje, qual carta você acha que sairia? Eu já tenho uma carta.

 

RESPOSTA DA MORCEGA: A imperatriz, arcano 3. Que traz toda a energia da comunicação, da prosperidade, do afeto, acolhimento, o poder feminino, a fertilidade, a criatividade, a abundância e o amor. A imperatriz é a mãe dos arcanos maiores. Ela gera tudo no seu ventre sagrado.

 

 

Poetisa deixe suas considerações finais sobre esse momento.

 

RESPOSTA DA MORCEGA: Amei responder! Estava comentando com o Morcego do quanto achei suas perguntas criativas e bem elaboradas. Sabe fazer perguntas estimulantes e a sua criatividade me surpreendeu. Me senti honrada pela oportunidade. Muito obrigada, Vampirão!

 

 

Se chegou ao final desta entrevista, te convido você assistir um programa escrito dessa mesma entrevista, num formato diferente e envolvente,

clica aqui Corvo do Silêncio ENTREVISTA A Morcega

 

A Sales e entrevista a Morcega
Enviado por A Sales em 10/11/2025
Alterado em 10/11/2025
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  Um livro poético escrito em sonetos que te leva desde a amizade, passando pela paixão até o amor. Uma viagem nestes sentimentos com uma escrita leve, senssivel e compreenssivel.

Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

Há palavras que nunca foram ditas,
e, mesmo assim, soam dentro de nós.
Este livro é um mergulho no espaço entre as vozes,
nas pausas, nos gestos interrompidos,
e nas emoções que o silêncio guarda.