De Um Fã Para A Poetisa Das Canções Do Oceano
Juli Lima
por Antonio Sales
Quando cheguei ao Recanto das Letras, eu não sabia o que significava a palavra poesia. Escrevia histórias, contos, cartas, essas coisas que se prendem ao chão da prosa, que caminham retas, sem o voo das metáforas das rimas. Foi aqui, neste espaço onde as almas se revelam por palavras, que encontrei o nome que mudaria meu olhar sobre o que é poesia, Juli Lima.
Lembro-me da primeira vez em que li um poema seu, não recordo o nome, as palavras tinham um perfume diferente, era como se viessem banhadas em maresia, em luz de fim de tarde. Havia uma suavidade que não se explica, apenas se sente. E foi lendo seus poemas poetisa Juli, que comecei a compreender que a poesia não é apenas sentimento, é disciplina, harmonia e entrega. Antes, eu pensava que bastava ter emoção para escrever versos. Mas descobri que poesia é alma, sim, mas também é conhecimento, estrutura e coragem para se desnudar em palavras.
Junto a você, nomes como Naty Steves, SimplesmenteSys, Irlene Chagas, Lia Fátima, e os poetas Roselalves, Jacó Filho Elie Mathias e Maurício de Oliveira. Cada um, através de seus escritos, me ensinou algo. Foram como mestres invisíveis que, sem saber, seguraram minha mão nos meus primeiros passos aqui no Recanto das Letras. Eu os lia em silêncio, muitas vezes sem comentar, porque ainda não compreendia como conseguiam tecer rimas tão leves, tão certas, tão vivas. Para mim, aquilo era uma arte de mestres, uma arte que exigia respeito e aprendizado. E assim permaneci, observando, absorvendo, tentando entender o segredo por trás das palavras.
Hoje, caminho sozinho, mas não sem antes andar junto aos mestres mesmo que de maneira invisível. Eu sei que cada verso que escrevo carrega um pouco do brilho que encontrei nos seus poemas. Você foi a luz que me inspirou quando eu ainda tateava na escuridão das primeiras linhas, tentando descobrir o que, afinal, fazia de um texto uma poesia.
Hoje, ao lembrar de tudo isso, sinto o coração apertar, mas não de tristeza. É um aperto de emoção, de reconhecimento, de uma felicidade que não cabe em palavras. Porque sei que nada disso teria acontecido sem vocês, sem você e sua doce escrita, os poetas e poetisas que me inspiraram quando eu não sabia a diferença entre um verso e uma estrofe.
Lendo seus poemas e outros textos como suas músicas, aprendi que poesia é caminhar por dentro da própria alma e ainda não esquecer das regras de sua composição, e ainda assim ter forças para colocar o que se encontra em sentimentos em palavras.
Por isso, escrevo estas linhas porquê não tenho como mandar flores em gratidão.
Juli, sua poesia foi o primeiro farol.
“Porque antes de aprender a rimar, eu aprendi a sentir como os poetas.
Antes de entender o ritmo, aprendi o silêncio entre as palavras que só os poetas conseguem compor.
E antes de me julgar poeta, aprendi a ouvir o som do coração dos poetas dizendo não serem poetas.
Hoje sei que ando sozinho. Mais no caminho acompanhado de vozes que soam como ondas.
E, de cada uma delas, e principalmente de você poetisa Juli, vem o mesmo canto suave,
o canto das canções do oceano.

Hoje quem assina é ela

