Quando a Esperança Fala em Silêncio
Poetisa Sônia,
eu havia colocado uma música na entrevista, apenas instrumentos, para um fundo, mas retirei, ia parecer muito melancólico. Percebi que, neste momento, não precisamos de melancolia, e sim de luz. E foi exatamente isso que você trouxe: luz em meio à dor, alegria no instante em que tudo parecia cinza, e esperança quando a fé parecia querer descansar.
As suas palavras não foram apenas respostas a uma entrevista, foram lições de vida. Foram o retrato de uma mulher que, mesmo enfrentando a dor, continuou acreditando, continuou sorrindo e, acima de tudo, continuou esperando com fé, mesmo está querendo descansar.
Eu me lembro bem do dia em que tudo começou, quando você comentou meu texto “Rotina do Hospital”. Ali, nasceu a ideia de convidá-la. Comecei a ler seus poemas, seus comentários em outros autores, e percebi algo que não se lê com os olhos, mas com o coração: a mulher por trás da poetisa, a força por trás da doçura, a fé por trás da palavra.
Foi a poetisa Juli Lima, das Canções do Oceano, quem me falou de você. E quando Deus confirma algo duas vezes, é porque Ele já havia decidido antes. Assim foi também com a poetisa Esther Lessa e o projeto abençoado que ela conduz. Lá, entre tantos nomes, o seu apareceu como um farol, e eu soube que não era acaso, mas um propósito divino se revelando.
E então veio a notícia, aquela que fez o coração estremecer de felicidade, se é que é possível isso, mais aconteceu.
O tumor reduziu a zero.
Essas palavras, simples e poderosas, foram o hino da vitória da fé.
Foram o som da esperança vencendo o medo, da oração movendo o braço de Deus.
E quando li suas próprias palavras, “Gratidão a todos que por mim oraram” senti que, de alguma forma, a fé de muitos se entrelaçou com a sua coragem.
Há quem duvide, há quem precise “ver para crer”. Mas a sua história é o testemunho vivo de que Deus ainda opera em silêncio, e o milagre ainda acontece quando o coração não desiste.
Eu aprendi com você, Sônia.
Aprendi que não importa o tamanho da dor, o que importa é a certeza de que ela vai passar, e que no tempo certo o milagre chega.
Como alguém que acompanhou um pai em tratamento por seis meses, consigo ver cada passo da sua luta.
Consigo sentir o frio dos exames, o peso das noites sem sono, o brilho dos olhos tentando esconder o medo.
Mas, mais do que isso, consigo ver o renascer.
O instante em que o médico sorri e a alma entende, Deus fez.
Sua entrevista não foi uma simples conversa.
Foi uma lição de fé e humanidade, um lembrete de que a vida, mesmo quando frágil, é feita para ser vivida em plenitude.
Hoje, eu louvo a Deus por suas conquistas.
Louvo pela força que você tem, pelo testemunho que se tornou, e pela esperança que semeou em tantos corações, inclusive no meu.
Hoje, você ganhou um fã, mas mais que isso, ganhou minha admiração eterna.
E, nas entrelinhas do meu silêncio, deixo aqui minha prece:
que o mesmo Deus que lhe deu a vitória continue a cobrir seus dias com saúde, paz e amor.
Porque, às vezes, é no silêncio que o milagre encontra voz.

Hoje quem assina é ela:
