A figura na imagem foi o mais
próximo que cheguei
de uma guardiã.
>>>>>>> Eu Só Rabisco Versinho <<<<<<<
Cordel em Homenagem à Poetisa Humilde do Sertão
Ela diz: “só rabisco versinho”,
Mas Deus sabe o que plantou,
Pôs poesia em seu peito
E mandacaru lhe tornou.
Mesmo em meio à seca brava,
Ela insiste e floresceu,
No deserto fez morada,
E ali Deus habitou.
Nasceu longe dos estudos,
Sem cartilha e sem lição,
Mas aprendeu com o vento,
Com o gado e o alazão.
Fez do canto das cigarras
Sua escola e oração.
Diz que é só aprendiz,
Mas o povo vê florir
A beleza das palavras
Que ela insiste em repartir.
Mesmo negando ser poeta,
Faz o mundo repetir.
Não estudou literatura,
Nem métrica, nem tratado,
Mas conhece o som das águas
Num riacho sossegado.
E entende o choro do tempo
Num sertão silenciado.
Escreve à luz da lamparina,
Com o coração por guia,
Faz da dor um verso manso,
Faz da alma poesia.
É flor de mandacaru
Na beira da ventania.
Nunca leu os grandes mestres,
Mas entende o céu aberto,
Aprendeu com as estrelas
A ser forte no deserto.
E com o vento aprendeu
Que o amor mora bem perto.
Se o verso sai tortinho,
É de tanta emoção,
Que o peito não dá conta
De conter tanta paixão.
Ela fala com o silêncio
E traduz o coração.
Juli Lima a chama de rainha,
E ela sorri, sem querer,
Mas pra mim, quem faz poesia
Já nasceu pra florescer.
E se ela não tem coroa,
Tem o dom de renascer.
Ela guarda em seus sonetos
Um perfume de Florbela,
E nas dores que revela
Há ternura semelhante.
Flor e lágrima caminham
Na mesma alma brilhante.
Diz que é só sertaneja,
Segurando um versinho,
Mas quem lê sente que ali
Tem amor e tem caminho.
É semente de esperança
Plantada com Deus pertinho.
E se um dia ela se cala,
Mesmo o vento vai notar,
Pois o chão que sente falta
Logo vai se recordar,
Que a flor de mandacaru
Nunca deixa de brotar.
Por isso escrevo este verso,
Com respeito e emoção,
Pra dizer que sua poesia
É consolo e oração.
Que no campo do silêncio,
Brota luz do coração.
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Hoje, celebro não só o seu nascimento,
mas o dom que Deus lhe deu, o de transformar dor em flor,
solidão em verso, e saudade em canto.
Você é sertão que reza, é chão que floresce,
é palavra que carrega o perfume da fé e o som da esperança.
Feliz aniversário, poetisa do mandacaru.
Que o sol nunca lhe falte,
e que a chuva, quando vier,
venha só pra fazer brotar ainda mais poesia do seu coração,
E rabiscos que traz emoção.

HOJE QUEM ASSINA É...
