A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Textos

Voz

 

Corvo do Silêncio

 

As ruas ainda soam passos cansados,

de tantas que vieram antes, abrindo veredas com sangue e sonho.

Elas enfrentaram o riso amargo, o peso da palavra negada,

e mesmo assim, ergueram o mundo, sem serem ouvidas.

 

Eu as respeito, não por fragilidade,

mas pela força que não pede permissão.

Por cada gesto de coragem invisível,

por cada lágrima transformada em ponte.

 

O respeito à mulher não é tributo,

são justiça atrasada,

é reconhecer que sem elas

nenhuma voz tem verdade completa.

 

Shirley (Uma amiga do hospital)

 

E ainda assim, Corvo,

há quem nos veja como reflexo, nunca como chama.

Nos observam, nos medem, nos enquadram,

como se a essência de ser mulher coubesse em moldura.

 

Quero ser vista, sim, mas como sou,

pele, mente, alma, contradição. Não só corpo.

Não quero o pedestal que aprisiona,

nem o elogio que fere travestido de carinho.

 

O respeito que exigimos é simples,

mas parece distante,

olhar-nos de frente, não de cima,

ou através de filtros inventados.

 

Corvo do Silêncio

 

Sim, Shirley, o mundo ainda tropeça em velhos espelhos,

mas tua voz é o som que quebra o vidro.

O respeito nasce do ouvir,

e o meu silêncio, aqui, é reverência, não omissão.

 

Shirley

 

Então escuta, Corvo,

não pedimos adoração,

pedimos espaço.

Não pedimos flores,

pedimos igualdade.

 

Queremos caminhar lado a lado,

sem sermos sombra nem vitrine.

Respeito é enxergar a mulher inteira,

não o que o mundo permite ver.

 

Corvo do Silêncio

 

E que assim soe, Shirley,

voz e som, carne e verbo,

até que o respeito deixe de ser bandeira

e passe a ser instinto humano.

 

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Este é uma homenagem e um grito para todas as mulheres.

Palavras dela.

Shirley

 

A Sales
Enviado por A Sales em 15/10/2025
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Comentários

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