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O galo desperta o silêncio,
e o sertão respira de novo,
cheiro de terra molhada,
memória de luta e promessa,
um sol tímido nasce dourado.
As mãos de Tião carregam calos,
mas também carregam histórias,
cada sulco aberto no chão
é raiz que finca no peito,
é vida que insiste em brotar.
O café fumaça lembranças,
na mesa o pão partilhado,
o olhar do pai distante
guarda lições de coragem,
raízes que não se quebram.
Até o boi se levanta,
dizendo: sou forte,
o campo responde em canto,
as aves celebram em voo,
a esperança se veste de verde.
E quando o céu se tinge de estrelas,
Tião entende o sertão continuado,
lugar de dor e beleza,
onde o amor à terra é semente,
e o amanhã é sempre possível.
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