Dei-te um pedaço, e o resto se perdeu,
nas sombras mudas de um querer incerto.
Fui porto breve, mar fechado e deserto,
foi meio gesto daquilo que era teu.
Teu nome em mim jamais se conheceu,
um rastro apenas, nunca um sonho aberto.
E mesmo quando estavas tão por perto,
faltava o lume que em silêncio ardeu.
Se amor não é inteiro, não é chama,
é só ruína, pedra sem morada,
um corpo frio que nunca se proclama.
E eu sigo assim, metade abandonada,
metade que não vive, e não se inflama,
metade de ninguém, e de mais nada.
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