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de onde veio a inspiração para o poema
Nasceu da lira e do vento,
filho da musa que inspira canção,
trazia nos dedos o dom do encantamento,
tocava e até as pedras choravam,
era a música feita coração.
Nos bosques verdes encontrou Eurídice,
ninfa de passos suaves como o orvalho,
ela sorriu ao som de sua lira,
e no instante se fez destino,
um amor eterno selado no silêncio.
Mas a morte é sombra que não se detém,
uma serpente roubou-lhe o fôlego e a vida,
Eurídice caiu, leve como a noite,
e Orfeu, em pranto, desceu ao abismo,
cantando aos deuses para reavê-la.
Nos infernos, Hades suspirou em segredo,
até Perséfone se deixou enternecer,
concederam-lhe a chance de tê-la de volta,
mas ao virar-se antes da luz do sol,
Orfeu perdeu-a outra vez no véu eterno.
Sem ela, vagueou entre sombras e liras,
cantava ao vento sua dor sem fim,
rejeitou o mundo, rejeitou o amor,
mas seu canto ecoava em cada estrela,
lembrando a todos o preço da perda.
Então vieram as Mênades, selvagens,
rasgaram-lhe o corpo em fúria e desprezo,
mas sua cabeça seguiu cantando,
sua lira flutuou sobre o Hebro,
e a música de Orfeu venceu a morte.
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Em dez capítulos
