Ela sentou-se ao lado e não me viu,
com um casaco leve e olhar distante.
Seu gesto calmo, doce, irrelevante,
pra mim foi verso vivo que ali surgiu.
O tempo parou, o mundo silenciou,
e eu rabisquei o instante vacilante.
Ali, nas entrelinhas, no semblante,
vi um poema que em mim nasceu.
Ela partiu, e o rastro era beleza.
Não sei seu nome, nem sua intenção,
mas sei do verso que virou certeza.
Seu café, sua sombra, a solidão...
e eu sigo escrevendo sua leveza
com gosto de poema e coração.
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