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Eram oito horas quando o céu começou a chorar,
a cidade silenciou para ouvir seu doce canto,
uma mulher caminhava sem medo entre as águas,
na boca levava versos esquecidos de amor eterno,
e cada palavra brilhava como raio na tempestade.
A chuva descia pesada sobre seus cabelos molhados,
mas sua voz era suave como sopro de brisa,
os transeuntes paravam diante daquela cena rara,
e no meio da rua ela recitava poesia viva,
recordando amores esquecidos sob relâmpagos distantes.
Havia nas suas palavras uma coragem profunda,
um amor que resistia ao tempo e à dor,
cada gota de chuva parecia aplaudir sua alma,
como se o céu também tivesse se apaixonado,
e os versos soavam nas paredes encharcadas da rua.
Eu a vi sorrindo em meio ao frio da tempestade,
seus olhos eram faróis iluminando madrugadas,
não era loucura, era pura forma de existir,
era o amor tomando corpo em sua garganta,
era o milagre da poesia cantada no temporal.
E quando cessou a chuva, ficou o silêncio,
mas no coração de todos ainda chovia amor,
a cidade guardou aquela hora como um segredo,
uma mulher e seus versos às oito da noite,
e a eternidade escreveu seu nome na memória.
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