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Não nasce pronto o verso que me habita,
ele se esconde, rasteja e surgirá.
Vem no silêncio, às vezes me tortura,
mas quando vem, é luz que se acredita.
Rasuro, volto, erro, e a folha grita
com letras minhas, sombra que emoldura.
O tempo é mestre, e a escrita é madura
só quando a alma inteira se habilita.
Escrever dói, mas cura o que me fere,
é forma de tocar sem ter que estar,
de dar sentido ao mundo que me espera.
Cada palavra escrita é como um mar
em que naufrago, e n’água que me fere,
descubro a liberdade de sonhar.
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