O silêncio da alma já não suportava calar,
meus olhos buscavam no vazio qualquer sinal,
as mãos trêmulas tocavam o nada sem esperança,
e dentro de mim só havia cinzas e escuridão,
até que uma luz frágil renasceu em minha mente.
Na sombra cansada, um sopro de vento soprou,
trazendo memórias esquecidas de versos perdidos,
meu coração voltou a sentir o pulsar da vida,
e as palavras brotaram como rios em cheia,
resgatando minha alma do frio abismo do tempo.
As letras se ergueram como sementes germinadas,
preenchendo meus olhos com cores de ternura,
cada sílaba acendia uma chama inesperada,
e eu percebi que não era apenas inspiração,
era a poesia retornando para curar minhas feridas.
O vazio se rompeu e a dor se dissolveu,
as lágrimas caíram, mas já não eram de dor,
tinham o sabor suave da saudade reencontrada,
meus versos eram pássaros livres sobre o céu,
e minha voz voltou a cantar sem medo do silêncio.
A poesia voltou, e comigo ficou inteira,
abraçou meu coração com ternura infinita,
transformou a escuridão em janela de esperança,
e nas minhas mãos floresceram mundos invisíveis,
a poesia voltou e fez de mim novamente poeta.
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Em um dos meus piores momentos tudo o que tinha e podia fazer era escrever (...)