A Sales
"Os Mundos gritam, eu escrevo, e no som das palavras, minha alma se encontra"
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Textos

Capítulo 3

O Segredo do Pequeno Livro

 

  Os raios do sol já iluminavam toda a vila, mas o coração de Maria ainda estava preso àquela meia e ao pequeno livro que segurava. Ela corria os dedos sobre as marcas entalhadas na madeira, como se pudesse decifrar uma história escondida ali. Seu pai a observava com um sorriso contido, o peito aquecido pela felicidade de ver a filha tão encantada.

 

  — Papai, olha só as letras aqui! Parece que tem palavras de verdade! Disse Maria, aproximando o livro rudimentar do rosto. — Será que o Papai Noel escreveu isso?

 

  O homem deu um passo à frente, agachando-se ao lado dela.

 

  — Talvez, minha pequena. O Papai Noel tem formas misteriosas de nos presentear. Pode ser que ele tenha deixado um pedacinho de uma história para você imaginar.

 

  Maria sorriu, apertando o livro contra o peito.

 

  — Então vou guardar pra sempre, papai. Esse é o presente mais bonito do mundo!

 

  — E você merece cada pedacinho dele, respondeu o pai, com a voz embargada.

 

  Ele sentiu o coração apertar, mas não era tristeza. Era uma mistura de orgulho e alívio, a sensação de ter conseguido preservar algo especial para sua filha, mesmo em tempos difíceis.

 

  A manhã passou tranquila, com Maria carregando o pequeno livro para todos os cantos da casa. Ela o mostrava para cada detalhe do lugar: para a árvore de Natal improvisada, para o gato velho que dormia num canto, até para a chaleira que borbulhava no fogão.

 

  — Olha só, Bolinha! O Papai Noel me trouxe um livro! Disse ela ao gato, que mal ergueu as orelhas para responder.

 

  O pai, sentado à mesa, observava a cena com um sorriso cansado, mas satisfeito. Ele sabia que aquele presente, por mais simples que fosse, havia acendido uma chama na filha, uma chama que ele temia que se apagasse com os anos.

 

  Enquanto Maria brincava, ele pegou a velha faca de entalhe e começou a trabalhar em outro pedaço de madeira. Não sabia exatamente o que estava fazendo, mas as mãos continuavam a criar, como se quisessem manter a magia viva.

 

— Papai, posso te ajudar? Perguntou Maria de repente, surgindo ao seu lado com o livro na mão.

 

  Ele olhou para ela, surpreso, e fez um gesto para que se sentasse ao seu lado.

 

— Claro, minha pequena. Vamos criar algo juntos.

 

  Maria se acomodou, os olhos brilhando de curiosidade. Enquanto o pai mostrava como segurar a madeira e a faca com cuidado, ela prestava atenção em cada movimento, como se estivesse aprendendo um segredo antigo.

 

— O Papai Noel deve ter usado uma faca como essa, né? Para fazer meu livro?

 

  O pai riu baixinho, ajeitando as pequenas mãos dela sobre o cabo da faca.

 

— Pode ser. Mas acho que ele tem ajudantes muito habilidosos que fazem tudo isso por ele.

 

  Maria sorriu, imaginando elfos trabalhando em oficinas mágicas, e começou a tentar entalhar pequenas linhas na madeira. Seus movimentos eram desajeitados, mas o pai a incentivava com paciência.

 

— Você está indo muito bem, Maria. Continue assim e, um dia, vai poder criar seus próprios presentes de Natal.

 

  Ela olhou para o pai com seriedade, como se acabasse de receber uma grande responsabilidade.

 

— Então, quando eu crescer, vou ajudar o Papai Noel. Vou fazer livros para todas as crianças que não têm nenhum.

 

  O pai parou por um momento, engolindo o nó que se formava na garganta.

 

 — Tenho certeza de que você vai, minha pequena. Tenho certeza.

 

 Enquanto o dia passava, Maria continuava a brincar com seu livro e a praticar seus primeiros entalhes. Na simplicidade daquela manhã de Natal, ela e o pai compartilhavam um momento que ficaria gravado para sempre, como o presente mais precioso de todos.

 

 

 

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A Sales
Enviado por A Sales em 25/12/2024
Alterado em 18/10/2025
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Versos Soltos é uma coletânea que criei para explorar a liberdade tanto na forma quanto no conteúdo dos poemas. Aqui, cada verso é uma experiência singular, fluindo de maneira natural e espontânea. Busquei proporcionar ao leitor uma imersão em emoções e pensamentos que emergem sem restrições, permitindo que cada poema seja uma jornada independente, com sua própria essência e significado.

  

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