Nos brilhos falsos que o ouro traz,
Se desenham trilhas de sombras e dor,
A fortuna é tinta que ilude e desfaz,
De promessas vazias, um brilho sem cor.
O que vale o ouro se a alma se esvai?
Se o coração perde o rumo e o norte,
Nos enganos que a cobiça atrai,
A fortuna só apressa a própria morte.
Mentiras que pintam sonhos vazios,
Desenhos de vida que logo se vão,
O desejo é tinta de frios estios,
Que apaga a verdade em cada ilusão.
No fim, o ouro é pó e o vento é rei,
Na palma da mão, o nada persiste,
A fortuna some no que não se vê,
E o que resta é o erro que existe.
Assim, nos enganos, o homem se perde,
Em buscas vãs, sua alma decai,
Na tinta dourada que o desejo cede,
Esquece que o ouro não o satisfaz.